sábado, junho 20, 2009

Quanto ao tempo



"Quanto ao tempo te esperei
E o passado assim passou
Hoje o céu mudou de tom
Pra falar do nosso amor
Acho que chorei igual
Com a chuva no quintal
Acho que sonhei do bom
Hoje o céu mudou de tom..."

("Quanto ao tempo" - Carlinhos Brown)

segunda-feira, junho 01, 2009

Desigual




Corri sem rumo na rua
À procura de canções,
Pessoas nuas e cruas.

E nessa realidade pude entender
Que há cada esquina, uma diferença
Há cada encontro, uma ausência.

(Priscila Silva)

quarta-feira, abril 29, 2009

Aos poucos



Foi no fundo da alma
Que procurei
O buraco profundo
Que eu me perdi.

Fechei os olhos
Pra não ver
O que muito
Esteve diante de mim.

Uma lágrima escorreu
E no rosto se perdeu
No caminho da ilusão sem fim.


(Priscila Silva)

terça-feira, março 03, 2009

Mal



O relógio marcava 03:00 hrs da manhã, acordei com o coração acelerado e suava bastante. Levantei da cama e tive a impressão de que flutuava em um imenso mar, onde apenas um barco navegava, no caso, o meu. O meu peito estava cheio de ar e isso não estava me fazendo bem por que não conseguia gritar. Uma sensação de pânico tomou conta de mim, quis fugir, mas para onde? Resolvi então ir até a sala, ligar a TV e assistir algum filme, não ligava, para minha falta de sorte, não havia energia.
Fui até a janela e com o peito estufado gritei:- Socorro! Estou sozinha! E ninguém se quer ouviu, nem os cachorros que dormiam debaixo dos carros, nem os bêbados a cambalear nas calçadas pararam para me escutar. Uma lágrima escorreu no meu rosto e à medida que escorria, queimava a pele, como um ácido. Nesse momento percebi que até chorar, me fazia mal.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Mudar?



Eu resolvi mudar,
Deixar de ser
O que eu não quis.

Decidi entender
A palavra que nunca se diz.

Mudei, mas não senti
Pra que serve a mudança
Se não há ânsia em mudar?

(Priscila Silva)

sexta-feira, outubro 24, 2008

Educação

Colégio Atheneu comemora 138 anos
Com avanços ao longo do tempo, colégio se destaca no ensino público



Por: Priscila Silva Foto: Priscila Silva

O Colégio Estadual Atheneu Sergipense hoje, 24, está comemorando mais um ano. Em clima de festa, alunos e professores comemoram em grande estilo com apresentação da banda marcial do colégio e orquestras.

“Hoje é um dia especial, 138 anos de história, o Atheneu é o berço da intelectualidade sergipana, aqui estudaram muitas pessoas ilustres do estado. Temos inúmeros motivos para comemorar”, disse o atual diretor do colégio Genaldo Freitas. De acordo com ele, a maior preocupação do colégio é a formação do cidadão.

Ao som do Hino Nacional no hall do colégio, alunos, professores e funcionários se posicionam para hastear as bandeiras. “É um momento de grande emoção para nós que trabalhamos aqui. Observando o avanço e a motivação dos alunos em estudar”, disse a professora Jussara Marques.

Novidade

O colégio vem sendo destaque no ensino público da capital sergipana, trazendo aos estudantes o contato direto com a tecnologia. Um dos motivos para a comemoração foi também a instauração do boletim on-line, que destacou o colégio público entre os particulares.

“Inauguramos hoje mesmo o boletim. Esse é um grande avanço, a idéia de colocar o boletim já vinha sendo estudada há dois anos. É o primeiro site da escola pública”, informa Genaldo. Os pais receberão uma senha de acesso ao site, onde irão acompanhar notas, faltas e comentários dos professores sobre o desempenho do aluno.

domingo, setembro 28, 2008

Além da imagem

“Oi Priscila, olha para cá!”, disse uma voz vinda do espelho. “Não tenha medo, olhe no espelho. Estou olhando para você”, continuou. A reação que eu tive foi sair correndo do banheiro e em minha mente só veio um ditado popular quem procura, acha. Sempre tive vontade de descobrir o que tinha dentro do espelho e nos meus sete anos, descobri.
Nos primeiros contatos entre a voz que saía do espelho e eu, apenas trocávamos palavras curtas como “oi”, “tudo bom?”. A curiosidade que eu tinha em saber quem estava falando me fez vencer o medo de encarar o novo. Já possuía duas dicas, a voz estava saindo do espelho e parecia ser de um menino porque o tom de voz não era grave.
Não me contentei apenas com essas informações e numa tarde onde todos da minha casa haviam saído, criei coragem, estufei o peito e disse “Estou pronta!”, entrei no banheiro, peguei uma cadeira e subi. Olhando para o espelho, eu disse “Apareça, quero saber quem é você. Não estou com medo, já tenho sete anos!”.
No espelho nenhuma imagem apareceu, quando decidi descer da cadeira, uma orelha grande e com pêlo branco apareceu no espelho.
Com o susto, acabei caindo, não levantei, permaneci no chão, olhando para a orelha que parecia ser de um coelho. “Ah, então você é um coelho! Como pode falar que nem gente?”, perguntei. No mesmo instante ele respondeu “Eu falo porque você deseja”.
Não entendi o que ele quis dizer com isso. “Quer saber de onde eu venho? Se quiser, eu mostro a você” disse o coelho me desafiando. “Eu topo”, prontamente aceitei.
Naquele momento, o espelho tornou-se imenso e revelou um mundo diferente, com um gramado verde brilhante com diversas flores coloridas, pude notar que era bem cuidado o jardim. Já sabia o que ele era e aonde ele morava, mas não sabia o seu nome.
“Como pude esquecer disto! Qual o seu nome, coelhinho?”, perguntei encabulada. “Nome? Estava esperando você me nomear. Não tenho nome ainda. Você decide”, respondeu o orelhudo.
A cada encontro, acrescentava algo novo ao coelho. “Seu nome será Jack”, informei ao coelho. “Jack? Porque esse nome?”, perguntou. “Minha avó costumava contar histórias para mim, de um homem que vivia pulando, alturas maiores que um prédio de 10 andares e ele só pulava assim para salvar a vida das pessoas”, respondi. “Que honra receber um nome de uma pessoa tão boa”, agradeceu.
A nossa amizade tinha uma grande importância, me ajudou a crescer, amadurecer e a tornar Jack cada vez mais real. Num determinado dia, quando retornei do colégio, não encontrei o espelho no banheiro, havia um outro. Nesse momento senti um forte aperto no peito e perguntei a meu pai “Meu pai, cadê o espelho que ficava aqui?”.
Sem saber da amizade que eu tinha com Jack, meu pai respondeu “Aquele espelho velho? Joguei fora minha filha, aquilo ali não servia pra nada. Olha pra esse espelho novo, é outra coisa não é?”, perguntou animado.
O que eu menos esperava, havia acontecido. A separação entre eu e Jack. Como estaria meu amigo coelho, jogado num lixo, suas belas flores estariam murchas e seu sorriso apagado.
Lavando meu rosto na pia, após ter chorado pela falta de Jack, ouço uma voz feminina dizer “Não chore, estou aqui pra te ajudar” e quando olhei para o espelho, não vi Jack e nem outro personagem, eu vi minha imagem refletida. Nesse momento pude perceber o quanto eu era forte e que a solução eu não iria encontrar em outros personagens criados na minha mente, a solução estava mais perto do que eu imaginava, estava dentro de mim.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Espelho

Falar de espelho nem sempre é sinônimo de beleza ou qualquer outro assunto relacionado à estética. No meu caso, o espelho teve uma importância maior. Na infância, por volta dos cinco aos oito anos costumava, como toda criança, criar mundos onde a realidade e os personagens existiam da forma como eu desejava.
Minha mãe comentava ao ver uma de minhas brincadeiras “Onde é que essa menina arranja tanta história pra contar? Deve ser no colégio, só pode”.
Quando tinha sete anos, veio então a vontade de brincar com o espelho. Não costumava brincar só, convidava meu irmão que na época tinha três anos e meu primo que tinha seis.
O desejo de viver um mundo diferente, mais bonito e legal nunca esteve tão perto, era seguir o corredor da minha casa e dobrar à primeira esquerda e lá estava ele, grande e envolto numa moldura de alumínio com uma portinha onde dentro podia guardar escovas e pasta de dente.
O banheiro naquela época nunca tinha sido tão movimentado, era um entra e sai, eu e minha trupe à procura de aventuras, meu pai ficava furioso, quando tinha que tomar banho e não podia entrar “Meninos, o que vocês fazem tanto neste banheiro? Todo dia é isso”.
A cada dia que passava era mais fascinante o contato com o espelho, a vontade de viver as histórias era algo que tomava conta de mim, pegava uma cadeira e ficava de frente pra ele, como um alguém que admira um quadro ou qualquer obra de arte e isso levava horas que até me esquecia do tempo, e não ouvia se quer a minha mãe me chamar.
Uma das histórias que eu lembro, era de um coelho cujo nome era Jack, era branco, com olhos vermelhos (típico daquela canção da páscoa “de olhos vermelhos de pelo branquinho”) morava dentro do espelho e sempre era esperado com muita expectativa por nós durante o tempo todo.
Mas o ambiente não era vago, tinha uma diversidade de cores, era um imenso e colorido jardim, cercado de chocolates e guloseimas e detalhes puros e inocentes que uma criança pudesse imaginar.
Achava graça quando meu irmão, com quatro anos, chorando, dizia “Quero ver Jack, Pri, ele vem hoje?” E eu tinha que estar disposta a qualquer hora para levar meu irmãozinho para apenas dar um oi ao amigo coelho, que nem sempre estava presente já que ele tinha uma personalidade forte e só aparecia quando queria.
Com o passar dos anos não olhava mais o espelho como sua função, toda vez que eu passava por ele, tinha que conferir se havia alguma história rolando por lá, se havia novidades e entre outras curiosidades que não me recordo.
Mas essa relação com o espelho, não se limitou à infância, ele foi também meu amigo, meu inimigo e confidente na fase da vida mais linda e fácil de lidar, a adolescência. Foi meu ombro amigo, acompanhou todo o meu desenvolvimento, minhas angústias e medos.
Já na juventude, percebo o quanto ele faz falta, não digo na presença física, porque qualquer canto que eu olho, vejo sempre espelhos: em casa, nos carros, ônibus, janelas, chaveiros.
Nenhum desses espelhos passa a profundidade que somente aquele espelho da minha infância passou. Hoje não tenho mais nem o espelho e nem a inocência de tempos atrás.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Reflexão

Existe uma lenda que fala de uma tribo onde o velho, quando não servia mais para nada, era levado pelo seu filho mais moço até um local distante da floresta, e ali era deixado entregue à própria sorte. A única certeza era o abandono e, consequentemente, a morte...
Numa dessas vezes, um filho apiedou-se do seu velho e disse:- Pai, vou lhe dar o meu casaco, para que o senhor não sofra muito com o frio. O pai pegou o casaco, refletiu um pouco e devolveu ao filho dizendo:- Filho, fique com ele, pois será muito útil a você quando seu caçula lhe trouxer pra cá.

(autor desconhecido)

quarta-feira, agosto 20, 2008

Violaram a inocência




Violaram a inocência
E destas pequenas bocas
Ouvimos gritos de socorro
Sem se quer receber clemência...

O responsável pode ser qualquer um,
Desde o desconhecido ao comum.
Porque se escondem
No véu da maldade?

A infância acabou,
O brinquedo quebrou.

(Priscila Silva)

20/08/2008

segunda-feira, agosto 18, 2008

Nada muda

Nada muda


Nada muda,
Tudo permanece igual.

O ar não é o mesmo
Tudo tem cheiro de hospital.

A lágrima que escorre no rosto
É a mesma que me causa mal.

Gritar já não é mais suficiente
Sorrir, pra quê?
Soa mais deprimente.

O peito que enchia de emoção
Hoje está cheio de angústia e solidão.


(Priscila Silva)

segunda-feira, junho 16, 2008

Pobres são como podres...

foto: Priscila Silva

...e todos sabem como se tratam os pretos.

Esta foto tirei na cidade de Salvador no bairro Stella Mares. 20 famílias estavam abrigadas num imóvel abandonado, quando um grande empresário da capital baiana decidiu comprá-lo, assim mandou uma ordem judicial de expulsão para todas as famílias, onde o reforço policial foi bastante utilizado. Não há aqui uma crítica na forma que os policiais exerceram sua profissão, mas sim a condição destas pessoas "parasitarem".

quarta-feira, maio 21, 2008

Não




Depois de uma facada no peito
Ela caiu no chão
Com o peito jorrando sangue
Chorou sorrisos
Esquecendo os "nãos"...


(Priscila Silva)

quinta-feira, maio 15, 2008

A literatura de cordel é imortal


Cordéis espalhados na Banca de João Firmino Cabral é uma alegria para os olhos dos visitantes

Por: Priscila Silva

Falar da cultura sergipana é englobar diversos fatores num único povo. Danças, lendas, músicas, comidas típicas, roupas e em especifico a literatura do cordel. Esta que é um tipo de poesia de origem popular, que no seu inicio foi difundida oralmente para depois aparecer em folhetos dependurados em cordas ou cordéis, vindo daí a origem do nome cordel, que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.

Chegando ao mercado central de Aracaju, atravessa-se um corredor de flores, que irá acabar na Praça João Firmino Cabral, e lá, está o poeta do povo com sua simplicidade e atenção em meio a cordéis, visitas de amigos, turistas e passantes num ambiente acolhedor e familiar, como se fosse a sala de sua própria casa. Firmino é um senhor de olhar curioso, que traz na “ponta da língua” um cordel para falar, onde quem pára na sua banca ouve com atenção o que é lhe dito.

Ele é o João Firmino Cabral, 68 anos e com muito amor ao que faz confessa que tem 52 anos de cordel. “Estou completando 52 anos de poeta, comecei a escrever cordel aos meus 16 anos.” A vida do poeta não foi somente de letras e rimas. Na infância, o ilustre itabainense, ajudava a sua mãe Dona Cecília da Conceição, na tarefa de fazer panelas de barro. “Comecei o trabalho cedo, carregando lenha para a minha mãe fazer panelas de barro. Aos 14 comecei a ler cordeis, por causa da minha mãe que comprava para eu ler. E foi através do cordel que aprendi a ler e escrever”.

Quando perguntado qual cordel ele mais gosta, de maneira simples como seu próprio jeito humilde de ser, diz gostar de todos. “Meus cordéis são como meus filhos, eu gosto de todos. Desde o meu primeiro que eu escrevi em 1956 até os mais atuais sobre a dengue e o caso Pipita. Mas tenho um carinho por “Heróis do destino” e “A coragem de uma vaqueiro em defesa de um amor

O cordelista é referência de pesquisa para estudantes de todas as séries, inclusive das crianças do interior, como é o caso do Colégio Imaculada Conceição da cidade de Capela, onde os alunos da 4 série vieram conhecer o ícone da cultura sergipana. “Gostei muito do João Firmino, ele escreve poemas legais, eu comprei três livrinhos, o monstro sem alma, corruptos do Brasil e As peripécias de João Grilo” , disse contente a estudante Calyane Gomes, 11.

O que deixa João Firmino Cabral orgulhoso do que faz, não é somente as constantes visitas de curiosos, estudantes e pesquisadores mas também a difusão do cordel em todo território brasileiro. “A literatura de cordel está mais divulgada porque já tem em vários estados e muitas pessoas vêm para minha banca conhecer o que é cordel”.

Como forma de retribuição, o cordelista assume a cadeira de número 23 na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). “Este ano vou fazer parte de uma das cadeiras. Em junho estarei seguindo para o Rio de Janeiro, tomar posse, aliás essa cadeira já pertencia a um ancestral meu, Manuel de Almeida Filho. Isto é bondade do povo, é uma alegria pra mim, porque eu sou o segundo poeta sergipano, teve o Gimar Santana , que é meu discipulo, ele foi o primeiro e eu fiquei honrado. Ele dizia nos jornais e revistas que a cadeira não era para ele e sim para mim e eu sempre falava a ele que um dia iria chegar a minha vez ”, lembra.

Proseando

O poeta nunca imaginou escrever algo diferente de cordel. “Nunca escrevi nada além do cordel a não ser uma cronicazinha com a minha língua matuta, prefiro ficar nesse estilo”. A respeito da procura dos leitores de cordel, Firmino se entristece quando reconhece a falta de interesse da população do interior.“Eu recebo as escolas. E infelizmente o público que lê menos é o povo do interior de Sergipe. Os interiores de outros estados estão sempre por aqui, Alagoas, Pernambuco e Bahia” e ainda acrescenta “O sergipano, estudante que tem uma formação, ele continua admirando a cultura, o cordel, a rima. Já o interiorano acha que o cordel é algo do passado, o povo gosta é de bandas musicais, gosta de lapada na rachada e chupa que é de uva”.

A banca de Firmino é bastante movimentada, de criança a poetas consagrados, um deles é o poeta Ronaldo Dória Dantas que chega à banca sem economizar elogios ao amigo. “Já virou vício estar aqui, meu dia só começa depois que eu passo por aqui para pedir a benção ao meu mestre que me incentivou a escrever e a ser o poeta que sou hoje” e também para Dória a cultura é pouco apreciada pelo público sergipano.

Já o poeta e pesquisador Clenaldo que também é amigo de longa data, não dispensa sua visita diária ao João. “Eu brinco com ele dizendo que ele é um poço de qualidades e ele como sempre, com seu jeito humilde e modesto, me retribuiu com os mesmos elogios” e também considera Firmino um irmão, porque quando ele mais precisou, estava presente. “Quando para mim já não havia mais nenhum um sopro de esperança de vida e a medicina já havia me dado como perdido busquei nos amigos a força e o positivismo para dar voltas e ressurgir das cinzas como uma fênix. Curei-me de um câncer do pulmão, que os médicos diziam que eu tinha apenas 5% de chance de sobreviver e agradeço a este meu amigo-irmão que tanto me deu forças para que eu não desistisse de lutar pela vida”, relembra o amigo e emocionado Firmino com os olhos rasos d’água o abraça, disfarçando, adianta “Estou atrasado, hoje vou dar uma entrevista a Valadão na Tv Caju”. Este é o nosso João Firmino Cabral.

sexta-feira, maio 02, 2008

Inclusão digital



Por: Priscila Silva

O mundo moderno transformou o ser humano em bytes, pixels e entre outros nomes complicados, que eu não ouso escrever. A conversa gostosa com amigos se transformou num simples ato de teclar e enviar a mensagem (muitas vezes acompanhadas de bichinhos saltitantes). O mundo cibernético veio com a proposta de solucionar problemas, aproximar pessoas (mesmo estando uma no Japão e outra no Brasil). A modernidade, comodidade e facilidade a alcance de todos. Corrigindo, quase todos.

Uma grande maioria na população brasileira nunca teve contato com a informática e muito menos sabe o que significa mouse. Muito já foi discutido em torno da inclusão digital e ficou claro que é de extrema importância devido à globalização nos meios de comunicação onde o computador deixou de ser luxo para ser necessidade, para aqueles que podem ter.

Embora o Governo Federal tenha desenvolvido algumas iniciativas como a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS) que tem como objetivo proporcionar à população menos favorecida o acesso às tecnologias de informação, capacitando-a na prática computacional, não pensou de forma correta, pois foi uma atitude bastante precipitada em apenas lançar mais um projeto, sem ter a preocupação em preparar a sociedade para esse contato com a tecnologia. O dever é apenas cumprir o que foi prometido?

Será que é necessária esta inclusão digital? Ter ou disponibilizar computador é suficiente? Do que irá valer apenas colocá-las, sem sequer saber o que estão fazendo? Reconheço que houve uma tentativa do Governo, onde foi criado um espaço destinado ao treinamento gratuito de pessoas que queiram conhecer as facilidades da Internet para a obtenção de serviços e informações do Governo para a sociedade.

Excelente iniciativa, mas não resolve muito, devido que só está disponível em dez cidades brasileiras (Brasília, Fortaleza, Belém, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre). A internet não está a alcance de todos brasileiros, que inclusão é essa que exclui?As pessoas que estão à margem da modernidade além de serem excluídas sofrem também preconceito por estarem desatualizadas. Totalmente leigas, são jogadas na internet como um resultado da “eficiência” do projeto.

Antes da inclusão digital, no meu ver, deve-se haver a inclusão social onde a educação esteja antes de qualquer outro projeto para a sociedade, que sem sombra de dúvida, é o pulsador desse processo. A educação fará com que a cultura digital seja acessível de forma democrática, desenvolvendo o hábito e o interesse da sociedade em manusear o computador e acessar à internet de forma fácil. Eu espero que seja em breve, esperar demais cansa e a sociedade sabe muito bem disso.

domingo, abril 13, 2008

Quem disse que a Bahia é só felicidade?



Ó paí, ó
O filme é mais do que um olhar crítico

Por: Priscila Silva

Para quem ainda não assistiu o filme, deduzindo que conhecia tudo sobre a Bahia e o seu produto de exportação, o carnaval, está muito enganado. Muitos comentários do tipo: “não recomendo o filme” “morri de rir, muito bom!” E até “sem graça, pensei que fosse melhor”. Resumindo, vários comentários sendo eles ruins e bons. Mas, o filme surpreende a quem assiste. Rico em música baiana, gírias, culinária, brincadeira, rivalidade entre religiões e muita confusão a diretora Monique Gardenberg decidiu trazer a peça “Ó pai, ó” realizada pelo Bando de Teatro Olodum no Teatro Vila Velha que fica em Salvador, para o cinema. A história se passa num cortiço situado no Pelourinho, onde habita várias “figuras” dentre elas: mãe de santo, evangélica, travesti e por aí vai...Depois da revitalização do Pelourinho, os moradores sofrem com as transformações e conseqüentemente com a “invasão” de turistas, que por um lado beneficia (lucro e comércio) e por outro lado exclui-os (exploração de diversas formas). Tudo isso é mostrado na semana de carnaval, com cenas engraçadas e marcantes mostra a triste realidade, que muitos (não somente os baianos) não vêem. É necessário dizer: Ó PAÍ, Ó para o que está acontecendo? Será que as pessoas não conseguem ver que cada dia que passa a desigualdade social aumenta? Que muitos morrem por não ter dinheiro? Que muitos morrem pelo fato de ser diferente em relação a sua raça? O filme Ó Pai ó é uma denúncia a triste realidade do Pelourinho que sofre pelo fato da força “embranquecedora” agir no local.
O filme que para muitos seria uma comédia, mostrando a tão famosa alegria do baiano, aquela alegria que é exportada (devido ao carnaval) chocaram-se ao ver que existe outro lado...Não só de alegrias vive Salvador. Na avenida onde muitos desfilam com seus abadás caríssimos, onde os camarotes cada dia que passa tomam mais espaço da avenida deixando a massa de gente, a tão conhecida como “pipoca” mais espremida do que bagaço de caldo de cana, também abriga miseráveis, prostitutas e crianças abandonadas. Onde o turismo esperado por muitos, destrói e conturba a vida dos moradores. Como é o caso do personagem Seu Jerônimo interpretado pelo ator Stênio Garcia, que é um comerciante de uma loja de objetos antigos no Pelourinho, que tenta de qualquer forma afastar os meninos de rua para melhorar a visita dos turistas á sua loja. O elenco é bem formado dou destaque para dois atores: Lázaro Ramos, que interpretou o personagem “Roque”, um homem que tem o sonho em ser cantor e que se vira como pode para driblar a falta de dinheiro e a personagem “Dona Joana” interpretada pela atriz Luciana Souza que é evangélica fervorosa, que se diz dona do cortiço, vive fuçando a vida alheia e que é mãe de Cosme e Damião.
Quem gosta de boa música não irá reclamar do filme, a trilha sonora cantada por vários artistas baianos como Jauperi, Tatau, Fechine e entre outros se encaixa perfeitamente com cada cena...Uma das músicas cantada por Jauperi “Canto do mundo”, cuja composição é de Caetano Veloso expressa a triste realidade do Pelô: “Presse canto do mundo/De onde é que ele virá /Do meu sonho profundo/Ou do fundo do mar/ Com que voz cantará/Com que luz brilhará/Há de vir seja como for/Presse canto do mundo/De onde virá o amor? /Nessa vida vazia /Por que tarda meu bem? /Uma imensa alegria /Que se guarda pra quem? Seja um anjo do céu /Seja um monstro do mar/Venha num disco voador/Mas que saiba que é meu/No segundo que olhar/Pelo encanto maior/Presse canto do mundo/Quando virá o amor? /O meu amor... /O meu amor...”.Um filme pra reflexão tanto serve para os donos de camarotes tanto para os catadores de latinhas.

sábado, março 22, 2008

Fim da caçada



Texto: Priscila Silva Foto: Emsergipe.com

Após uma semana buscando o menor infrator mais procurado pela justiça sergipana, Cleverton Santos Reis, 17, mais conhecido como "Pipita" que aterrorizava o estado de Sergipe, foi capturado e morto nesta madrugada,22. Ele que junto com seu comparsa espalhou terror pelo interior do estado mostrando seu lado frio de agir. Com uma extensa ficha criminal envolvendo homicídios, sequestros e estupros, deixou a população apreensiva. A rotina dos moradores de Tomar do Geru teve que seguir os "comandos" do menor, alterando até mesmo as aulas nos colégios. A polícia finalmente o encontrou em uma fazenda localizada no povoado Campo Grande, extremo sul de Tomar do Geru, já na divisa com a Bahia. Pipita invadiu uma casa na fazenda e foi surpreendido pelo caseiro, que lhe aplicou dois golpes de foice, um no pulso direito e outro da cabeça. Mesmo ferido tentou fugir numa bicicleta e se deparou com o cerco policial, resistindo à prisão, reagiu e durante a troca de tiros acabou sendo alvejado três vezes no tórax. Foi conduzido pelos policiais ao hospital mais próximo, mas não resistindo aos ferimentos, veio a falecer no caminho. O corpo encontra-se no IML da capital.
O comparsa de Pipita, Gago, conseguiu fugir e agora está sendo procurado pela polícia local.

terça-feira, março 18, 2008

Policiais reclamam de baixos salários



Texto: Priscila Silva Foto: Priscila Silva

Priscila Silva

Mal começou a sexta-feira, 7, em Aracaju e as ocorrências policiais já estão a todo vapor. 13 viaturas da Rádio Patrulha, circulam pela capital e municípios vizinhos à procura de ações suspeitas, tentando manter a segurança dos moradores. Ser policial é trabalhar com a incerteza do cotidiano, onde o risco de morrer é diário. A RP é destaque em apreensão de armas de fogo e captura de traficantes no Estado de Sergipe, prova de que o trabalho é efetivado, deixando a população satisfeita e acima de tudo segura, mas a própria polícia não está satisfeita quando a questão é sobre o salário que recebem. “Com um salário de R$1070,00, comparado aos riscos que sofremos em cada operação é considerado baixo. Ficamos muitas vezes sem motivação alguma para trabalhar. Trabalho na RP porque honro a minha farda”, diz o policial Deivid de Souza. Os policias da RP alegam que o Batalhão de Choque cumpre as mesmas operações e correm os mesmos riscos, porém com diferença salarial. “Trabalhamos muito e recebemos quase nada. Muitas vezes o nosso trabalho é o dobro de outras subunidades da PM, como é o caso do Batalhão de Choque que recebe cerca de R$400,00 a mais do que nós”, reclama o policial militar José Augusto*.

Realidade

Pela manhã começa o trabalho, mas é a partir das 17h30 quando o sol se põe que as ocorrências aparecem. Mesmo com a criminalidade presente diariamente, os policiais evitam a utilização excessiva da violência, preferindo trabalhar o psicológico. “Tentamos evitar o máximo a utilização da violência. Quando notamos que o individuo está passando por uma crise familiar e não tem estrutura emocional alguma, conversamos e quando possível damos conselhos”, explica o sargento Gardel comandante da Guarnição “Leão 28”. O rádio-escuta não pára e a viatura policial tem que estar presente no local o mais rápido possível. “A alta velocidade é uma característica nossa, quando nos chamam precisamos chegar a tempo”, diz o pm que dirige a viatura Willanês dos Santos.
As viaturas por sempre estarem sendo utilizadas, já estão desgastadas. Buracos de bala, porta empenada, manivela com defeito, retrovisores danificados e bancos soltos são características do interior de uma viatura policial. “O carro é essencial para a RP sem ele não poderíamos chegar ao local da ocorrência de imediato. Deve ter mais ou menos um ano em que o carro não visita a oficina”, diz Willanes.

domingo, fevereiro 24, 2008

Censura divina?



Por: Priscila Silva

A Igreja Universal do Reino de Deus, querendo ou não, é uma grande empresa e qualquer leigo sabe disso. Apenas em analisar as suas obras faraônicas e o controle da emissora Rede Record nota-se um grande investimento empresarial. Mas, aquele que ouse em dizer a verdade como prova de seu trabalho e compromisso com a sociedade, pode pagar um preço caro.
Recentemente, a jornalista Elvira Lobato do Jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem “Universal chega aos 30 anos com império empresarial” como troca disto, a jornalista e a Folha tornaram-se alvos de uma grande quantidade de processos judiciais, vindo dos fiéis, pastores e do próprio bispo Edir Macedo, que justificaram os processos por terem sido “ofendidos” com a publicação.
E o que consta não são dois ou três processos, são 56. Estes que estão espalhados em várias regiões do Brasil, como forma de um verdadeiro "ataque". Como "punição",a Igreja Universal fez com que repórteres e advogados da Folha de São Paulo se deslocassem para participarem das audiências realizadas em cidades distantes do país. A censura de imprensa pelo que consta não existe mais, ou estamos enganados?
Escrever e mostrar a realidade como ela é, sem máscaras é o papel do jornalista, informar a sociedade sobre o que está acontecendo. Já que esta empresa desperta interesse por ostentar riquezas vindas de Deus, por que não falar sobre ela? Este ato da Igreja Universal, de querer punir e mobilizar várias regiões contra a Folha, remeteu as ações do General Humberto Castello Branco, no regime militar, onde suas medidas visavam restringir e punir jornalistas e meios de comunicação que contrapusessem à Ditadura. Estamos voltando ao período da Censura?
Mas, graças à nova liminar do Supremo Tribunal Federal autorizada pelo Ministro Miro Teixeira fez com que as medidas de censura ficassem no passado. A nova liminar destaca que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação sob qualquer forma, processo ou veículo, não podem sofrer nenhuma restrição. Mas isso não dá espaço para que "jornalistas" caluniosos ou ações que difamem indivíduos apareçam como processos.
Quem irá ganhar mais será a sociedade, que terá acesso à informação da forma que ela é, sem censuras.

domingo, fevereiro 17, 2008

Quarto 23


Foto: Quarto

O QUARTO 23

O fato de ir ao hospital todos os dias fez com que Marilda se acostumasse. Passar pelo longo e tortuoso “corredor da morte”, como os funcionários do hospital apelidaram, não mais lhe chocava, como chocou nos primeiros anos de experiência como auxiliar de enfermagem.
Marilda é uma mulher comum, 45 anos, brasileira, trabalha como auxiliar de enfermagem, divorciada e tem dois filhos, Gabriel de cinco anos e José de doze, que não moram com ela, estão morando no exterior com o pai. O marido que só fez engravida-la e abandona-la, queria mesmo era ter dois filhos e fugir com seu mais novo namorado.Há seis anos morando sozinha, aprendeu a conviver com a solidão. Passou por maus bocados, tentativas de suicídio, profundas depressões e problemas cardíacos. Na sua cabeça sempre apareciam perguntas como “Porque tanto sofrimento?”, “Irei morrer sozinha neste apartamento?”. Não tinha amigos e nem vizinhos. Seu ex-marido nem sequer ligava para dizer como estão os filhos, perguntar se precisava de alguma ajuda financeira, nada disso perguntava, aliás, o telefone nunca mais tocou depois de ter recebido a notícia de que sua mãe havia falecido, no nordeste. Estava completamente só. No ônibus á caminho do trabalho, ela podia conversar sobre os fatos do dia-a-dia, as novelas e sentir-se um pouco mais “gente”. Chegando ao trabalho, não tinha mal humor, sorria pra todos e desejava bom dia. Sempre de alto astral, quem a via não suspeitava que era tão infeliz, a pobre coitada. De vez em quando, trancava-se no banheiro pra chorar, não queria ser vista daquele jeito, “a mulher do bom dia” não podia chorar. O seu maior sonho era o mais simples de todos: queria ser feliz. E para isso não precisava ganhar na loteria, ser artista global e muito menos conhecer o mundo todo. E a sua felicidade estava numa companhia, seja lá qual fosse. Não pensava mais em arranjar outro homem, porque a decepção foi tamanha e com isso a fez desacreditar no amor.
Sua vida mudou numa manhã nublada de quinta-feira. Acordou disposta e com o corpo leve, sentiu-se bem. Achou-se estranha, uma energia tomava conta do seu corpo cansado. Tanto o motorista quanto o cobrador puderam perceber que ela estava bem. Percebia em seu olhar, que nunca brilhou tanto.
Chegando no Hospital, foi logo cumprir sua tarefa. No quarto 23 havia uma senhora internada e Marilda precisou ir lá para poder coletar seu sangue. Entrou no quarto e disse:- Bom dia, flor do dia! Como vai a senhora? Meu nome é Marilda e vim fazer um exame na senhora. A senhora prontamente respondeu:- Bom dia! Vou bem, obrigada. À medida que os dias passam, me sinto cada vez melhor! E Marilda pôde perceber que aquela paciente era uma companheira perfeita para bater sempre um papo, quando possível.
Já tinha cinco meses e a senhora ainda continuava internada e o que Marilda achava curioso é que ela nunca se queixava, não perguntava quando iria ter alta e entre outras perguntas que os pacientes fazem quando estão cansados de ficarem no hospital por muito tempo. Todo dia, elas conversavam como grandes amigas, o nome da senhora era Dolores e tinha 87 anos, seu quadro de saúde era classificado como grave, mas nada impedia que seu jeito alegre de ser mudasse.
Numa dessas conversas, Dolores cismou em dizer que Marilda era uma pessoa feliz e que não devia reclamar da vida, mas, Marilda discordou e disse que a vida dela era um caos, só havia tristezas e contou todas as histórias, mas Dolores continuou:- Querida, confie em mim. Você é feliz e não sabe. Infeliz é aquele que não tem saúde, que está quase um ano deitado numa cama de hospital...Deixe de ser pessimista, não conte coisas ruins, você só irá atrair e emanar coisas negativas. Marilda nunca havia discordado de Dolores e nesse dia ela ficou chateada, bateu a porta do quarto com força e prometeu nunca mais voltar lá.
Passou-se então dois meses e Marilda pensou em pedir desculpas à sua amiga Dolores. Mas quando chegou ao quarto 23, ele estava vazio. Uma sensação de gelo tomou o seu corpo e correu até a sala de enfermagem, queria saber onde estava Dolores. Pensou que poderia ter recebido alta ou ter trocado de quarto, mas o inevitável havia acontecido.
Dolores faleceu.
E a causa da sua morte foi solidão.


(Priscila Silva)