quarta-feira, maio 21, 2008

Não




Depois de uma facada no peito
Ela caiu no chão
Com o peito jorrando sangue
Chorou sorrisos
Esquecendo os "nãos"...


(Priscila Silva)

quinta-feira, maio 15, 2008

A literatura de cordel é imortal


Cordéis espalhados na Banca de João Firmino Cabral é uma alegria para os olhos dos visitantes

Por: Priscila Silva

Falar da cultura sergipana é englobar diversos fatores num único povo. Danças, lendas, músicas, comidas típicas, roupas e em especifico a literatura do cordel. Esta que é um tipo de poesia de origem popular, que no seu inicio foi difundida oralmente para depois aparecer em folhetos dependurados em cordas ou cordéis, vindo daí a origem do nome cordel, que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.

Chegando ao mercado central de Aracaju, atravessa-se um corredor de flores, que irá acabar na Praça João Firmino Cabral, e lá, está o poeta do povo com sua simplicidade e atenção em meio a cordéis, visitas de amigos, turistas e passantes num ambiente acolhedor e familiar, como se fosse a sala de sua própria casa. Firmino é um senhor de olhar curioso, que traz na “ponta da língua” um cordel para falar, onde quem pára na sua banca ouve com atenção o que é lhe dito.

Ele é o João Firmino Cabral, 68 anos e com muito amor ao que faz confessa que tem 52 anos de cordel. “Estou completando 52 anos de poeta, comecei a escrever cordel aos meus 16 anos.” A vida do poeta não foi somente de letras e rimas. Na infância, o ilustre itabainense, ajudava a sua mãe Dona Cecília da Conceição, na tarefa de fazer panelas de barro. “Comecei o trabalho cedo, carregando lenha para a minha mãe fazer panelas de barro. Aos 14 comecei a ler cordeis, por causa da minha mãe que comprava para eu ler. E foi através do cordel que aprendi a ler e escrever”.

Quando perguntado qual cordel ele mais gosta, de maneira simples como seu próprio jeito humilde de ser, diz gostar de todos. “Meus cordéis são como meus filhos, eu gosto de todos. Desde o meu primeiro que eu escrevi em 1956 até os mais atuais sobre a dengue e o caso Pipita. Mas tenho um carinho por “Heróis do destino” e “A coragem de uma vaqueiro em defesa de um amor

O cordelista é referência de pesquisa para estudantes de todas as séries, inclusive das crianças do interior, como é o caso do Colégio Imaculada Conceição da cidade de Capela, onde os alunos da 4 série vieram conhecer o ícone da cultura sergipana. “Gostei muito do João Firmino, ele escreve poemas legais, eu comprei três livrinhos, o monstro sem alma, corruptos do Brasil e As peripécias de João Grilo” , disse contente a estudante Calyane Gomes, 11.

O que deixa João Firmino Cabral orgulhoso do que faz, não é somente as constantes visitas de curiosos, estudantes e pesquisadores mas também a difusão do cordel em todo território brasileiro. “A literatura de cordel está mais divulgada porque já tem em vários estados e muitas pessoas vêm para minha banca conhecer o que é cordel”.

Como forma de retribuição, o cordelista assume a cadeira de número 23 na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). “Este ano vou fazer parte de uma das cadeiras. Em junho estarei seguindo para o Rio de Janeiro, tomar posse, aliás essa cadeira já pertencia a um ancestral meu, Manuel de Almeida Filho. Isto é bondade do povo, é uma alegria pra mim, porque eu sou o segundo poeta sergipano, teve o Gimar Santana , que é meu discipulo, ele foi o primeiro e eu fiquei honrado. Ele dizia nos jornais e revistas que a cadeira não era para ele e sim para mim e eu sempre falava a ele que um dia iria chegar a minha vez ”, lembra.

Proseando

O poeta nunca imaginou escrever algo diferente de cordel. “Nunca escrevi nada além do cordel a não ser uma cronicazinha com a minha língua matuta, prefiro ficar nesse estilo”. A respeito da procura dos leitores de cordel, Firmino se entristece quando reconhece a falta de interesse da população do interior.“Eu recebo as escolas. E infelizmente o público que lê menos é o povo do interior de Sergipe. Os interiores de outros estados estão sempre por aqui, Alagoas, Pernambuco e Bahia” e ainda acrescenta “O sergipano, estudante que tem uma formação, ele continua admirando a cultura, o cordel, a rima. Já o interiorano acha que o cordel é algo do passado, o povo gosta é de bandas musicais, gosta de lapada na rachada e chupa que é de uva”.

A banca de Firmino é bastante movimentada, de criança a poetas consagrados, um deles é o poeta Ronaldo Dória Dantas que chega à banca sem economizar elogios ao amigo. “Já virou vício estar aqui, meu dia só começa depois que eu passo por aqui para pedir a benção ao meu mestre que me incentivou a escrever e a ser o poeta que sou hoje” e também para Dória a cultura é pouco apreciada pelo público sergipano.

Já o poeta e pesquisador Clenaldo que também é amigo de longa data, não dispensa sua visita diária ao João. “Eu brinco com ele dizendo que ele é um poço de qualidades e ele como sempre, com seu jeito humilde e modesto, me retribuiu com os mesmos elogios” e também considera Firmino um irmão, porque quando ele mais precisou, estava presente. “Quando para mim já não havia mais nenhum um sopro de esperança de vida e a medicina já havia me dado como perdido busquei nos amigos a força e o positivismo para dar voltas e ressurgir das cinzas como uma fênix. Curei-me de um câncer do pulmão, que os médicos diziam que eu tinha apenas 5% de chance de sobreviver e agradeço a este meu amigo-irmão que tanto me deu forças para que eu não desistisse de lutar pela vida”, relembra o amigo e emocionado Firmino com os olhos rasos d’água o abraça, disfarçando, adianta “Estou atrasado, hoje vou dar uma entrevista a Valadão na Tv Caju”. Este é o nosso João Firmino Cabral.

sexta-feira, maio 02, 2008

Inclusão digital



Por: Priscila Silva

O mundo moderno transformou o ser humano em bytes, pixels e entre outros nomes complicados, que eu não ouso escrever. A conversa gostosa com amigos se transformou num simples ato de teclar e enviar a mensagem (muitas vezes acompanhadas de bichinhos saltitantes). O mundo cibernético veio com a proposta de solucionar problemas, aproximar pessoas (mesmo estando uma no Japão e outra no Brasil). A modernidade, comodidade e facilidade a alcance de todos. Corrigindo, quase todos.

Uma grande maioria na população brasileira nunca teve contato com a informática e muito menos sabe o que significa mouse. Muito já foi discutido em torno da inclusão digital e ficou claro que é de extrema importância devido à globalização nos meios de comunicação onde o computador deixou de ser luxo para ser necessidade, para aqueles que podem ter.

Embora o Governo Federal tenha desenvolvido algumas iniciativas como a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS) que tem como objetivo proporcionar à população menos favorecida o acesso às tecnologias de informação, capacitando-a na prática computacional, não pensou de forma correta, pois foi uma atitude bastante precipitada em apenas lançar mais um projeto, sem ter a preocupação em preparar a sociedade para esse contato com a tecnologia. O dever é apenas cumprir o que foi prometido?

Será que é necessária esta inclusão digital? Ter ou disponibilizar computador é suficiente? Do que irá valer apenas colocá-las, sem sequer saber o que estão fazendo? Reconheço que houve uma tentativa do Governo, onde foi criado um espaço destinado ao treinamento gratuito de pessoas que queiram conhecer as facilidades da Internet para a obtenção de serviços e informações do Governo para a sociedade.

Excelente iniciativa, mas não resolve muito, devido que só está disponível em dez cidades brasileiras (Brasília, Fortaleza, Belém, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre). A internet não está a alcance de todos brasileiros, que inclusão é essa que exclui?As pessoas que estão à margem da modernidade além de serem excluídas sofrem também preconceito por estarem desatualizadas. Totalmente leigas, são jogadas na internet como um resultado da “eficiência” do projeto.

Antes da inclusão digital, no meu ver, deve-se haver a inclusão social onde a educação esteja antes de qualquer outro projeto para a sociedade, que sem sombra de dúvida, é o pulsador desse processo. A educação fará com que a cultura digital seja acessível de forma democrática, desenvolvendo o hábito e o interesse da sociedade em manusear o computador e acessar à internet de forma fácil. Eu espero que seja em breve, esperar demais cansa e a sociedade sabe muito bem disso.

domingo, abril 13, 2008

Quem disse que a Bahia é só felicidade?



Ó paí, ó
O filme é mais do que um olhar crítico

Por: Priscila Silva

Para quem ainda não assistiu o filme, deduzindo que conhecia tudo sobre a Bahia e o seu produto de exportação, o carnaval, está muito enganado. Muitos comentários do tipo: “não recomendo o filme” “morri de rir, muito bom!” E até “sem graça, pensei que fosse melhor”. Resumindo, vários comentários sendo eles ruins e bons. Mas, o filme surpreende a quem assiste. Rico em música baiana, gírias, culinária, brincadeira, rivalidade entre religiões e muita confusão a diretora Monique Gardenberg decidiu trazer a peça “Ó pai, ó” realizada pelo Bando de Teatro Olodum no Teatro Vila Velha que fica em Salvador, para o cinema. A história se passa num cortiço situado no Pelourinho, onde habita várias “figuras” dentre elas: mãe de santo, evangélica, travesti e por aí vai...Depois da revitalização do Pelourinho, os moradores sofrem com as transformações e conseqüentemente com a “invasão” de turistas, que por um lado beneficia (lucro e comércio) e por outro lado exclui-os (exploração de diversas formas). Tudo isso é mostrado na semana de carnaval, com cenas engraçadas e marcantes mostra a triste realidade, que muitos (não somente os baianos) não vêem. É necessário dizer: Ó PAÍ, Ó para o que está acontecendo? Será que as pessoas não conseguem ver que cada dia que passa a desigualdade social aumenta? Que muitos morrem por não ter dinheiro? Que muitos morrem pelo fato de ser diferente em relação a sua raça? O filme Ó Pai ó é uma denúncia a triste realidade do Pelourinho que sofre pelo fato da força “embranquecedora” agir no local.
O filme que para muitos seria uma comédia, mostrando a tão famosa alegria do baiano, aquela alegria que é exportada (devido ao carnaval) chocaram-se ao ver que existe outro lado...Não só de alegrias vive Salvador. Na avenida onde muitos desfilam com seus abadás caríssimos, onde os camarotes cada dia que passa tomam mais espaço da avenida deixando a massa de gente, a tão conhecida como “pipoca” mais espremida do que bagaço de caldo de cana, também abriga miseráveis, prostitutas e crianças abandonadas. Onde o turismo esperado por muitos, destrói e conturba a vida dos moradores. Como é o caso do personagem Seu Jerônimo interpretado pelo ator Stênio Garcia, que é um comerciante de uma loja de objetos antigos no Pelourinho, que tenta de qualquer forma afastar os meninos de rua para melhorar a visita dos turistas á sua loja. O elenco é bem formado dou destaque para dois atores: Lázaro Ramos, que interpretou o personagem “Roque”, um homem que tem o sonho em ser cantor e que se vira como pode para driblar a falta de dinheiro e a personagem “Dona Joana” interpretada pela atriz Luciana Souza que é evangélica fervorosa, que se diz dona do cortiço, vive fuçando a vida alheia e que é mãe de Cosme e Damião.
Quem gosta de boa música não irá reclamar do filme, a trilha sonora cantada por vários artistas baianos como Jauperi, Tatau, Fechine e entre outros se encaixa perfeitamente com cada cena...Uma das músicas cantada por Jauperi “Canto do mundo”, cuja composição é de Caetano Veloso expressa a triste realidade do Pelô: “Presse canto do mundo/De onde é que ele virá /Do meu sonho profundo/Ou do fundo do mar/ Com que voz cantará/Com que luz brilhará/Há de vir seja como for/Presse canto do mundo/De onde virá o amor? /Nessa vida vazia /Por que tarda meu bem? /Uma imensa alegria /Que se guarda pra quem? Seja um anjo do céu /Seja um monstro do mar/Venha num disco voador/Mas que saiba que é meu/No segundo que olhar/Pelo encanto maior/Presse canto do mundo/Quando virá o amor? /O meu amor... /O meu amor...”.Um filme pra reflexão tanto serve para os donos de camarotes tanto para os catadores de latinhas.

sábado, março 22, 2008

Fim da caçada



Texto: Priscila Silva Foto: Emsergipe.com

Após uma semana buscando o menor infrator mais procurado pela justiça sergipana, Cleverton Santos Reis, 17, mais conhecido como "Pipita" que aterrorizava o estado de Sergipe, foi capturado e morto nesta madrugada,22. Ele que junto com seu comparsa espalhou terror pelo interior do estado mostrando seu lado frio de agir. Com uma extensa ficha criminal envolvendo homicídios, sequestros e estupros, deixou a população apreensiva. A rotina dos moradores de Tomar do Geru teve que seguir os "comandos" do menor, alterando até mesmo as aulas nos colégios. A polícia finalmente o encontrou em uma fazenda localizada no povoado Campo Grande, extremo sul de Tomar do Geru, já na divisa com a Bahia. Pipita invadiu uma casa na fazenda e foi surpreendido pelo caseiro, que lhe aplicou dois golpes de foice, um no pulso direito e outro da cabeça. Mesmo ferido tentou fugir numa bicicleta e se deparou com o cerco policial, resistindo à prisão, reagiu e durante a troca de tiros acabou sendo alvejado três vezes no tórax. Foi conduzido pelos policiais ao hospital mais próximo, mas não resistindo aos ferimentos, veio a falecer no caminho. O corpo encontra-se no IML da capital.
O comparsa de Pipita, Gago, conseguiu fugir e agora está sendo procurado pela polícia local.

terça-feira, março 18, 2008

Policiais reclamam de baixos salários



Texto: Priscila Silva Foto: Priscila Silva

Priscila Silva

Mal começou a sexta-feira, 7, em Aracaju e as ocorrências policiais já estão a todo vapor. 13 viaturas da Rádio Patrulha, circulam pela capital e municípios vizinhos à procura de ações suspeitas, tentando manter a segurança dos moradores. Ser policial é trabalhar com a incerteza do cotidiano, onde o risco de morrer é diário. A RP é destaque em apreensão de armas de fogo e captura de traficantes no Estado de Sergipe, prova de que o trabalho é efetivado, deixando a população satisfeita e acima de tudo segura, mas a própria polícia não está satisfeita quando a questão é sobre o salário que recebem. “Com um salário de R$1070,00, comparado aos riscos que sofremos em cada operação é considerado baixo. Ficamos muitas vezes sem motivação alguma para trabalhar. Trabalho na RP porque honro a minha farda”, diz o policial Deivid de Souza. Os policias da RP alegam que o Batalhão de Choque cumpre as mesmas operações e correm os mesmos riscos, porém com diferença salarial. “Trabalhamos muito e recebemos quase nada. Muitas vezes o nosso trabalho é o dobro de outras subunidades da PM, como é o caso do Batalhão de Choque que recebe cerca de R$400,00 a mais do que nós”, reclama o policial militar José Augusto*.

Realidade

Pela manhã começa o trabalho, mas é a partir das 17h30 quando o sol se põe que as ocorrências aparecem. Mesmo com a criminalidade presente diariamente, os policiais evitam a utilização excessiva da violência, preferindo trabalhar o psicológico. “Tentamos evitar o máximo a utilização da violência. Quando notamos que o individuo está passando por uma crise familiar e não tem estrutura emocional alguma, conversamos e quando possível damos conselhos”, explica o sargento Gardel comandante da Guarnição “Leão 28”. O rádio-escuta não pára e a viatura policial tem que estar presente no local o mais rápido possível. “A alta velocidade é uma característica nossa, quando nos chamam precisamos chegar a tempo”, diz o pm que dirige a viatura Willanês dos Santos.
As viaturas por sempre estarem sendo utilizadas, já estão desgastadas. Buracos de bala, porta empenada, manivela com defeito, retrovisores danificados e bancos soltos são características do interior de uma viatura policial. “O carro é essencial para a RP sem ele não poderíamos chegar ao local da ocorrência de imediato. Deve ter mais ou menos um ano em que o carro não visita a oficina”, diz Willanes.

domingo, fevereiro 24, 2008

Censura divina?



Por: Priscila Silva

A Igreja Universal do Reino de Deus, querendo ou não, é uma grande empresa e qualquer leigo sabe disso. Apenas em analisar as suas obras faraônicas e o controle da emissora Rede Record nota-se um grande investimento empresarial. Mas, aquele que ouse em dizer a verdade como prova de seu trabalho e compromisso com a sociedade, pode pagar um preço caro.
Recentemente, a jornalista Elvira Lobato do Jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem “Universal chega aos 30 anos com império empresarial” como troca disto, a jornalista e a Folha tornaram-se alvos de uma grande quantidade de processos judiciais, vindo dos fiéis, pastores e do próprio bispo Edir Macedo, que justificaram os processos por terem sido “ofendidos” com a publicação.
E o que consta não são dois ou três processos, são 56. Estes que estão espalhados em várias regiões do Brasil, como forma de um verdadeiro "ataque". Como "punição",a Igreja Universal fez com que repórteres e advogados da Folha de São Paulo se deslocassem para participarem das audiências realizadas em cidades distantes do país. A censura de imprensa pelo que consta não existe mais, ou estamos enganados?
Escrever e mostrar a realidade como ela é, sem máscaras é o papel do jornalista, informar a sociedade sobre o que está acontecendo. Já que esta empresa desperta interesse por ostentar riquezas vindas de Deus, por que não falar sobre ela? Este ato da Igreja Universal, de querer punir e mobilizar várias regiões contra a Folha, remeteu as ações do General Humberto Castello Branco, no regime militar, onde suas medidas visavam restringir e punir jornalistas e meios de comunicação que contrapusessem à Ditadura. Estamos voltando ao período da Censura?
Mas, graças à nova liminar do Supremo Tribunal Federal autorizada pelo Ministro Miro Teixeira fez com que as medidas de censura ficassem no passado. A nova liminar destaca que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação sob qualquer forma, processo ou veículo, não podem sofrer nenhuma restrição. Mas isso não dá espaço para que "jornalistas" caluniosos ou ações que difamem indivíduos apareçam como processos.
Quem irá ganhar mais será a sociedade, que terá acesso à informação da forma que ela é, sem censuras.

domingo, fevereiro 17, 2008

Quarto 23


Foto: Quarto

O QUARTO 23

O fato de ir ao hospital todos os dias fez com que Marilda se acostumasse. Passar pelo longo e tortuoso “corredor da morte”, como os funcionários do hospital apelidaram, não mais lhe chocava, como chocou nos primeiros anos de experiência como auxiliar de enfermagem.
Marilda é uma mulher comum, 45 anos, brasileira, trabalha como auxiliar de enfermagem, divorciada e tem dois filhos, Gabriel de cinco anos e José de doze, que não moram com ela, estão morando no exterior com o pai. O marido que só fez engravida-la e abandona-la, queria mesmo era ter dois filhos e fugir com seu mais novo namorado.Há seis anos morando sozinha, aprendeu a conviver com a solidão. Passou por maus bocados, tentativas de suicídio, profundas depressões e problemas cardíacos. Na sua cabeça sempre apareciam perguntas como “Porque tanto sofrimento?”, “Irei morrer sozinha neste apartamento?”. Não tinha amigos e nem vizinhos. Seu ex-marido nem sequer ligava para dizer como estão os filhos, perguntar se precisava de alguma ajuda financeira, nada disso perguntava, aliás, o telefone nunca mais tocou depois de ter recebido a notícia de que sua mãe havia falecido, no nordeste. Estava completamente só. No ônibus á caminho do trabalho, ela podia conversar sobre os fatos do dia-a-dia, as novelas e sentir-se um pouco mais “gente”. Chegando ao trabalho, não tinha mal humor, sorria pra todos e desejava bom dia. Sempre de alto astral, quem a via não suspeitava que era tão infeliz, a pobre coitada. De vez em quando, trancava-se no banheiro pra chorar, não queria ser vista daquele jeito, “a mulher do bom dia” não podia chorar. O seu maior sonho era o mais simples de todos: queria ser feliz. E para isso não precisava ganhar na loteria, ser artista global e muito menos conhecer o mundo todo. E a sua felicidade estava numa companhia, seja lá qual fosse. Não pensava mais em arranjar outro homem, porque a decepção foi tamanha e com isso a fez desacreditar no amor.
Sua vida mudou numa manhã nublada de quinta-feira. Acordou disposta e com o corpo leve, sentiu-se bem. Achou-se estranha, uma energia tomava conta do seu corpo cansado. Tanto o motorista quanto o cobrador puderam perceber que ela estava bem. Percebia em seu olhar, que nunca brilhou tanto.
Chegando no Hospital, foi logo cumprir sua tarefa. No quarto 23 havia uma senhora internada e Marilda precisou ir lá para poder coletar seu sangue. Entrou no quarto e disse:- Bom dia, flor do dia! Como vai a senhora? Meu nome é Marilda e vim fazer um exame na senhora. A senhora prontamente respondeu:- Bom dia! Vou bem, obrigada. À medida que os dias passam, me sinto cada vez melhor! E Marilda pôde perceber que aquela paciente era uma companheira perfeita para bater sempre um papo, quando possível.
Já tinha cinco meses e a senhora ainda continuava internada e o que Marilda achava curioso é que ela nunca se queixava, não perguntava quando iria ter alta e entre outras perguntas que os pacientes fazem quando estão cansados de ficarem no hospital por muito tempo. Todo dia, elas conversavam como grandes amigas, o nome da senhora era Dolores e tinha 87 anos, seu quadro de saúde era classificado como grave, mas nada impedia que seu jeito alegre de ser mudasse.
Numa dessas conversas, Dolores cismou em dizer que Marilda era uma pessoa feliz e que não devia reclamar da vida, mas, Marilda discordou e disse que a vida dela era um caos, só havia tristezas e contou todas as histórias, mas Dolores continuou:- Querida, confie em mim. Você é feliz e não sabe. Infeliz é aquele que não tem saúde, que está quase um ano deitado numa cama de hospital...Deixe de ser pessimista, não conte coisas ruins, você só irá atrair e emanar coisas negativas. Marilda nunca havia discordado de Dolores e nesse dia ela ficou chateada, bateu a porta do quarto com força e prometeu nunca mais voltar lá.
Passou-se então dois meses e Marilda pensou em pedir desculpas à sua amiga Dolores. Mas quando chegou ao quarto 23, ele estava vazio. Uma sensação de gelo tomou o seu corpo e correu até a sala de enfermagem, queria saber onde estava Dolores. Pensou que poderia ter recebido alta ou ter trocado de quarto, mas o inevitável havia acontecido.
Dolores faleceu.
E a causa da sua morte foi solidão.


(Priscila Silva)

domingo, fevereiro 10, 2008

Grito



Foto: Flickr

Eles gritavam. Estavam presos numa minúscula gaiola. Dois pássaros que viviam presos numa gaiola pendurada numa árvore, a observar outros pássaros a serem livres. O grito era alto e doía meu coração, confesso que doía tanto, que senti até a minha alma gelar. Mas, ninguém ouvia os seus gritos, ninguém quis parar pra escutar.Tinha eu vontade de também gritar e chorar. Era um casal de jandaia, uma espécie de papagaio pequeno, eram verdinhos com umas manchas vermelhas no peito (coração partido?).
Senti-me fraca ao ver aquela cena, eles pediam socorro e eu ali, livre, sem sequer poder fazer nada. Estava eu também presa, vivi aquele momento com eles, quis gritar, mas meu grito não saía, estava sufocado em meu peito. Eles eram também propriedades de alguém, isso piorava ainda mais a minha insatisfação. Nesse dia, com tanta agonia, voltei pra casa com um peso na alma e senti vergonha em ser humana.


(Priscila Silva)

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Colorido




O colorido que foi girando e indo...
Ficou parado.
Perplexo com o indo e vindo
Ficou branco e preto
E as cores foi cuspindo.

(Priscila Silva)

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Pensando bem...



Pensando bem,
Acho que cansei de você,
Desse seu jeito de não ser.

Cansei de ouvir
O que você nunca quis dizer
Cansei de falar
O que você nunca quis escutar.

Pensando bem,
Desisto de te ver
Desfaço os meus caminhos
Que um dia,
Eu fiz em torno de você.


(Priscila Silva)

Quem sou eu?



Ainda, não sei definir...
Procuro respostas em mim,
Para tentar fugir.

Quem sou eu?
É uma pergunta vazia,
Quem disse que responder
Alivia?

Descobrir-se é muito difícil
Há tantos espelhos
Com rostos perdidos.

(Priscila Silva)

sábado, dezembro 22, 2007

O Encontro

Imagem de Oxum nas margens do rio Ọxum que se encontra na cidade de Oṣogbo, Nigéria


Foi na beira do rio que eu a vi, descendo pelas pedras e logo em seguida mergulhando nas águas escuras do rio. Sua roupa era amarela e esvoaçante, o vento determinava o movimento do seu vestido e dos seus longos cabelos pretos. Sua beleza era encantadora. Na água brincava feito uma criança e na mão trazia um espelho, para quando parar de brincar, voltar a ser mulher, com sua vaidade, penteava seus cabelos e sorria olhando-se.
Seus cabelos eram tão brilhantes quanto o próprio reflexo do sol na água. Ela rodava na água, as ondas batiam e alegria tomava conta do seu ser, ela estava em casa, com certeza.
Não resisti à tamanha curiosidade e encantamento, decidi entrar na água para poder vê-la de perto. Ela estava de costas, olhando-se no espelho, mas através dele, pude notar que ela me viu e logo em seguida virou-se e naquele momento um grande silêncio surgiu, o tempo parou. As ondas acalmaram, o vento parou e o riso silenciou... Ela não só olhou para os meus olhos como também para dentro de mim e de forma tão fugaz quanto chegou ela saiu e apenas restou uma flor no rio. Até hoje espero ela voltar, que saudade daquela menina!

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Coincidência ou não?



Numa noite dessas que não tem o que fazer, ela mais uma vez acessou à internet, convicta de que iria encontrar recadinhos, desses que vêm bichinhos saltitantes, mas, por incrível que pareça, ela ficou surpresa ao ver que não tinha só isso. Tinha um pedido de amizade e que a deixou intrigada, não soube dizer se foram as palavras bem colocadas que a confortavam como um tecido de veludo ou se foi a foto dele que trazia calma só em ver. De certa forma, ele mudou a noite dela, que tinha tudo pra ser “mais” uma noite virtual recheada de pérolas e superficialidades virtuais.
Nunca havia pensado que a internet pudesse reservar pessoas reais e puras de verdade, que eram tão intensas que mesmo estando em campos virtuais possuía cor própria, brilho próprio que tinha o poder de transcender a tela do monitor. O que conseguiu mantê-la ligada ao novo amigo foram os “laços” da coincidência que eles fortaleceram, sem querer. Parecia que tudo que ambos pensavam ou “falavam” (mesmo digitando a comunicação fluía como uma conversa real) era algo combinado, porque muitas vezes era a mesma coisa. Possuíam uma grande afinidade, porém, algo não coincidia. Moravam em cidades diferentes, mas isso não impediu que as coincidências os perseguissem. Ele dizia ter uma sensação súbita de poder senti-la tão perto que parecia toca-la.
O tempo foi passando e a conexão virtual proporcionou inúmeros momentos de coincidência, tudo era motivo para tal. Já achavam normal e procuravam sempre um motivo de “juntar as peças” e chegar num ponto em comum.
Mas num dia desses que não tem o que fazer, ele resolveu ir até a cidade dela, sem avisar, queria fazer uma surpresa pra ela. Chegando ao aeroporto ele não acreditou no que viu, era ela de malas prontas, dizendo:- Que coincidência! Estava indo te visitar! Não quis avisar...Queria fazer uma surpresa pra você.
E naquele momento nada mais nada foi dito.

(Priscila Silva)

domingo, dezembro 09, 2007

Qual Carta?



-Cara, preciso terminar de escrever aquela carta, mas estou sem coragem. Dá pra acreditar?
-Qual carta?
-Aquela que eu te disse ontem.
-Não me diga que você está se referindo à carta para o Papai Noel.
-Sim Mário, aquela mesmo. Estou com tanta vontade de escrever, sei lá, voltar a ser criança, ter um pouco de esperança.
-É Afonso...Acho difícil você conseguir isso.
-Ah, porque? Já sei, vai me dizer que já estou "grandinho" pra isso, é?
-Não, a questão não é essa. Você quer voltar a ser criança, num tempo que elas estão aprendendo forçadamente a serem adultas.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Um jornalismo melhor

Por um jornalismo melhor

Por Priscila Silva

A Universidade Tiradentes (UNIT) apresentou no dia 23, no Bloco D do Campus da Farolândia o tema “Razões e Complexidades do Discurso Jornalístico” para uma mesa-redonda, esta que foi ministrada pelo doutor em Ciências da Comunicação e professor de Jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da USP Manuel Carlos Chaparro. A mesa-redonda também teve as presenças dos professores Ronaldo Linhares (UNIT) e Carlos Franciscato (UFS). O evento teve a participação de estudantes de comunicação social e professores da área.
No passado, ser jornalista, ter a função de divulgar fatos e representar a sociedade em suas inúmeras situações não era algo fácil, ainda mais num período ditatorial “Me angustiava a falta de informação devido à ditadura. Tudo era proibido, qualquer relação de troca de informações”, disse Carlos Chaparro ao lembrar das dificuldades em exercer a profissão, que começou em 1957 e confessou “Meu desejo naquela época era ver a classe operária mais organizada e que assim pudesse ter acesso à liberdade de expressão”.
Chaparro explicou que o jornalismo não é gerado nas redações, ele depende de quem gera o conteúdo e quem gera tudo isso é a fonte, ressaltou a importância do jornalista como “socializador de conteúdos” e definiu a fonte como protagonista do presente “O Jornalista é um socializador de conteúdos. Por isso, tem de ter uma relação competente com as áreas onde esses conteúdos são gerados. Nas redações não brotam nem informações nem conhecimento; brotam do mundo. E o que nós fazemos? Escrevemos artigos, entrevistas, reportagens, textos para que os conteúdos de interesse público sejam socializados. Mas socializados em função de quem irá recebê-los, não na perspectiva de quem os gerou.
“É de extrema importância para o jornalista ter fontes que falem, pensem, opinem e tenham um discurso próprio, por isso, há uma dependência total do jornalista com suas fontes é a linguagem que depende dos outros”, afirmou. Em relação ao discurso do jornalismo, Chaparro classificou-o como sem autonomia. O papel do jornalismo é ter uma linguagem de captar discursos e entende-los, o jornalista precisa que de aptidão para aflorar os conflitos e ao mesmo tempo encontrar soluções para tais.
Atualmente os jornalistas andam seduzidos pela variedade de acontecimentos que as fontes produzem e isso acabou mudando o “fazer” jornalismo, este que a partir de tais mudanças transformou-se em “preguiçoso”. Chaparro chamou a atenção “Ao invés de olhar erupções, mergulhe para ver o interior, a intimidade. É o mesmo que na sociedade, ver as dores, as lutas humanas, as cenas do cotidiano e dessa forma evita a exclusão discursiva. Há muito que o se desvendar na realidade.”
O professor que está confiante no quadro atual da profissão quando compara com o jornalismo da época dos anos 60, “Em 1968 quando trabalhava em Natal, existiam nas redações muitos saudosistas que classificavam o jornalismo da época como o melhor. Hoje vejo uma grande diferença entre o anterior e o atual, na verdade o anterior era pobre, esse jornalismo era feito por jornalistas que aceitavam matérias pagas, “mamavam” no governo e o bom foi que tudo isso mudou, se hoje isso ocorre, é um escândalo. O jornalista tem a obrigação de se comprometer com o mundo ético.”
Totalmente inserido na era cibernética, Chaparro também possui um blog chamado de “O xis da questão” (http://www.oxisdaquestao.com.br) onde reúne matérias, temas para discussão e muitos outros textos interativos. A respeito da internet, Chaparro afirma que pode haver uma relação harmônica das novas mídias com o jornalismo, porque se destacam pela sua dinamicidade. Favorecendo também o surgimento de um novo jornalismo, mais popular, pelo fato de qualquer pessoa poder noticiar um fato e colocar em blogs em forma de textos ou simplesmente em fotos.
Além de produzir as notícias, o jornalista tem por obrigação acreditar no que se está divulgando e garantir o que está sendo divulgado. Antes de se divulgar qualquer fato é preciso assegurar-se da veracidade dele. O jornalismo é um discurso que “mata a cobra e mostra o pau” como Chaparro brincou na forma de dizer.
Chaparro finalizou a mesa-redonda dizendo se sentir seduzido pela profissão devido aos conflitos, este que é a base do jornalismo. Onde o profissional deve saber captá-lo e divulgá-lo de maneira correta baseando-se nas expressões jornalísticas, na lógica de dizer os principais e secundários conflitos. Perceber a vida, os sonhos, os conflitos de valores e os direitos que todos devem ter.

domingo, novembro 25, 2007

Descaso!



Por Priscila Silva Foto www.correiodabahia.com.br

Ânimos à flor da pele, torcedores do Bahia foram ao Estádio da Fonte Nova, localizado em Salvador, para prestigiar mais uma vez o time, que disputava com o Vila Nova, do estado de Goiânia. Calcula-se que cerca de 60 mil pessoas assistiam a partida. Esta que se encerrou com o placar de 0 X 0, despertou a euforia entre os torcedores baianos que vibraram pela classificação do time para a série B do Campeonato Brasileiro. Mas em meio a tanta comemoração, não poderiam imaginar que logo após alguns minutos do jogo terminar, aconteceria uma tragédia. Um dos anéis superior do estádio, onde estava a torcida organizada BAMOR, despencou de uma altura de 20 m, tendo seis vítimas fatais, duas a caminho do HGE e uma já no Hospital.
O que era pra ser uma festa transformou-se em revolta, tristeza e indignação. Um estádio de futebol precisa de segurança não somente entre torcedores como também na sua INFRA-ESTRUTURA. Como pode realizar um jogo num estádio que está com sua construção comprometida? De acordo com estudos do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco)o estádio da Fonte Nova é o pior estádio do Brasil, em termo de estrutura, este que fora construído em 1951.
Agora resta saber qual será a atitude do Governo do Estado da Bahia em relação à tragédia, que não se preocupou com a segurança dos baianos em poder assistir um jogo, como será a preocupação em torno do jogo da seleção brasileira para as Eliminatórias da Copa de 2014, que irá ser realizado no estádio?

terça-feira, novembro 20, 2007

Dia da Consciência Negra




Por Priscila Silva

Dia 20 de novembro é comemorado o dia da Consciência Negra porque nesse mesmo dia morreu o líder Zumbi dos Palmares, teve sua cabeça cortada... Isso ocorreu em 20 de novembro de1695, chocou a todos do Quilombo dos Palmares, situado no estado de Alagoas e pra quê serviu essa crueldade? Na época, não teve repercussão, mas criou-se uma lenda em torno da figura do Zumbi dos Palmares, ele foi sempre citado pelos abolicionistas da época. Já Atualmente, o dia 20 de novembro é celebrado, como o Dia da Consciência Negra, que possui um significado especial para os negros brasileiros, que reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade e como um símbolo de liberdade. É feriado? Sim, mas não em todos os municípios. Mudou algo com a inserção desse dia? Não, o preconceito ainda continua...Há debates e debates em torno da problemática desigualdade racial, que desde o tempo do descobrimento do Brasil, nos persegue, deixando um rastro difícil de apagar. Muitos se preocupam em igualar as raças, trazer o tema da igualdade racial para a sociedade a fim de “abrir” as mentes que só pensam em si e quando essas debatem sobre preconceito e discriminação se limita a pequenos grupos, onde cada um supõe uma alternativa para mudar, mas que nunca criam força.
Não considero a desigualdade social, triste, lamentável e entre outros adjetivos de indignação e ao mesmo tempo conformação com a situação. Prefiro dizer que esse quadro é burro, ignorante e ultrapassado. Se o ser humano evolui tanto com a tecnologia, porque não evoluir também na forma de pensar? Como imaginar que em pleno século XXI, existam pessoas que diferenciam os indivíduos pela raça e que os qualificam de forma vertical? É até vergonhoso dizer que no Brasil, grande parte dos negros tem pouco acesso às Universidades, a salários bons, a altos cargos profissionais e o mais vergonhoso de tudo é que as pessoas estão acostumadas a ver o negro em condição miserável como é o caso que vemos sempre nas ruas a pedir esmolas.
O problema é que a sociedade foi acostumada a ver o branco em condição superior que o negro, é possível ainda notar o choque das pessoas ao ver um garoto branco pedir esmolas no semáforo. Uma das formas para exterminar o preconceito é fazer com que o negro também tenha seu espaço nas posições de destaque, isso de certa forma irá diminuir a discriminação. E essa é a hora da conhecida “elite branca” dá sua contribuição para os negros, criando mecanismos para acabar com a discriminação e isso é necessário e urgente.
Em torno da discriminação, preconceito e falta de oportunidades para os negros, as Universidades Públicas e Particulares criaram um sistema chamado de cotas para negros ou sistema de cotas racial (Sistema de cotas é uma espécie de compensação que o Estado oferece à raça negra. Esta compensação reserva vagas em concursos públicos para empregos, preenchimento de cargos para estudo em faculdades públicas), esta forma de “amenizar” o problema, só agravou a situação. Separar vagas para determinada raça é uma forma de discriminar, tornar o individuo incapaz de concorrer com outros. Este sistema de cotas não “nasceu” no Brasil, ele foi criado na Índia e posteriormente nos Estados Unidos, mas não durou muito tempo pelo fato de estar aumentando a discriminação racial e a desigualdade republicana. A idéia do sistema de cotas é atingir a igualdade e para isso os grupos desiguais devem ser tratados de forma desigual visando o equilíbrio.
O poder de mudar não está apenas nas mãos de duas ou três pessoas, está num grupo bem maior, está em nós mesmos.

terça-feira, novembro 13, 2007

Alma Perdida

Em frente ao espelho, ela olhava fixamente para os seus olhos profundos e cheios de lágrima. Delicadamente passava as mãos no rosto e ia desfazendo, aos poucos, a maquiagem feita algumas horas antes. Seu rosto tão belo foi ficando manchado, dos seus olhos escorria a cor negra do lápis, da sua boca escorria sangue que se confundia com o vermelho do batom. Estava ali refletido no espelho, a imagem de um monstro, que poderia ser a mais bela das criaturas, se não fosse o abandono da esperança.

(Priscila Silva)

quinta-feira, outubro 04, 2007

A capacidade lúdica no Jornalismo



Por: Priscila Silva Foto: Alexandre Borges no Flickr

Um dos elementos mais fascinantes que o ser humano possui é a capacidade de raciocinar. Quando criança mantém um elo forte com o mundo interior e exterior de forma bastante lúdica. Não existem problemas como se a vida fosse uma brincadeira, onde quem aproveita mais é o vencedor. É algo tão puro ver uma criança brincar sem precisar se inspirar em algo ou tentar ser melhor do que o outro. Simplesmente ela busca em sua mente a criatividade que, aflora de forma natural, como também na cabeça de qualquer ser humano, basta exercitar.

À medida que a criança cresce vai deixando de lado seu jeito puro de ver a vida, o mundo interior e exterior não se encontram mais, estão cada vez mais distantes. E para se conseguir uma forma criativa de realizar qualquer tipo de atividade, acaba encontrando muitas dificuldades, pois esta busca não está sendo de forma espontânea, há uma forma forçada de se obter a criatividade.

No Jornalismo, na década de 60 e 70, no período da Ditadura Militar, os jornalistas se destacaram pela astúcia em driblar a censura imposta pelos militares. A criatividade deu o ar da graça nos chamados jornais alternativos que se caracterizaram pela oposição ao regime militar, ao modelo econômico, à violação dos direitos humanos e à censura. Conseguiam escrever o que era então “proibido” de uma forma imperceptível aos olhos dos militares. E a maioria destes eram satíricos e utilizavam muito de gravuras e charges.

Atualmente, a maioria dos jornalistas perdeu essa astúcia, essa forma de brincar com a realidade... Não brincar no verbo de não levar a sério à realidade, mas sim, brincar na sua composição em fazer um texto, uma matéria, tornar aquele momento prazeroso, fazer com que o leitor lendo aquela matéria consiga achar interessante, encontrar algo que o remeta a lembranças boas ou até mesmo resgatas momentos da infância (porque todos sentem saudades da infância) O que eles procuram fazer hoje é uma espécie de “limpeza” mental, tornar uma reportagem bastante objetiva e com respostas intelectualizadas, isso afasta o leitor, ouvinte e telespectador. Seguir aquelas perguntas básicas: Como? Quem? Onde? Quando? Porque? Não são suficiente para o leitor, às vezes um olhar mais apurado, uma folha que caiu e ninguém viu possa ser algo interessante ao invés de narrar um fato com total frieza e objetividade.

Inserindo uma gíria que as pessoas ultimamente falam, um personagem famoso de uma novela, ou até acrescentar uma cor no corpo de texto facilita a atenção do público. Brincar não irá tornar o jornalista, ou qualquer outro profissional que lide com público, um ser totalmente infantil, sem noção ou um “João-bobo”. E qual é o problema em acrescentar um pouco de criança no meio profissional?

É preciso sair um pouco deste modelo imposto pela sociedade de que as pessoas precisam ser mais maduras em suas relações pessoais e profissionais. Seria importante se as pessoas saíssem um pouco desta lista de regras (não dizendo desrespeitar as leis jurídicas), mas viver um pouco mais a alegria, brincadeira, emoção que antigamente tinham na infância. O ser humano não perde sua capacidade lúdica, ele apenas tenta esconder por inúmeros motivos. Desobedecer nem sempre é um sinal errado, como dizia Raul Seixas: “A desobediência é uma virtude à criatividade."