domingo, setembro 30, 2007

O sertanejo forte


O sertanejo forte



Quem é esse homem
Que montado em seu cavalo
Desbrava montes, sertões e matos?

Que carrega a dor
De não viver como queria
E que traz na alma
Uma ferida que nunca cicatriza.

Quem é esse homem,
Que em cima do seu cavalo
Vira um guerreiro
Que mesmo sem nome e sobrenome
Carrega a força de vencer no peito.

(Priscila Silva)

domingo, setembro 09, 2007

Noite perdida





Lá se vai mais uma noite...
Perdi mais uma vez,
Estou cansada de procurar
Algo que ainda não sei.


O vazio anseia em me completar
O desespero bate
O inimigo faz um barulho:
Tic tac, tic tac, tic tac.


Enquanto meu corpo
Implora pra dormir
Minha alma quer motivo
Pra sorrir.


O que fazer?
Pego uma xícara de café
E aprecio o nascer do sol
Bom dia, Vida.

(Priscila Silva)

segunda-feira, setembro 03, 2007

Poço de mim




Foto de Robert Frank no Flickr

Eu quero chorar,
Alguém tem uma fórmula
Para a lágrima
Não secar?

Quero chorar
Até a alma cansar,
Até o coração calar
E meu sentimento se espalhar
Nesse corpo cansado...
Que já espera a hora de parar.

Quero chorar
Até os meus olhos secarem
Como ficam as flores
Se não regarem.

Quero chorar
Num quarto escuro
Não quero ver meu rosto
Estou de luto
Quero o meu riso, mudo.

Não quero ouvir palavras que me confortem
Não quero que nada me toque.

Como sou fraca, Meu Deus!
Estou me afogando aos poucos...
No poço de mim.

(Priscila Silva)

segunda-feira, julho 16, 2007

Três pães




Estavam trancadas e amedrontadas dentro do seu barraco, estavam esperando a volta do "homem da casa" chamado José, que havia saído para poder comprar três pães.
Mãe e filha oravam, pedindo proteção e que aquele momento passasse logo e que tudo voltasse ao normal. Pelo buraco da parede a garota viu homens fardados e armados. Um desses homens é o Marco que está na área há 10 anos sempre trabalhou da melhor forma possível, no objetivo de proteger a sociedade ao defender os inocentes e prender os criminosos. Neste dia Marco iria tirar folga, mas o delegado disse para ele trabalhar nesta favela porque lá ocorriam vários crimes. Ele ficou enraivado pelo fato de quase nunca poder estar com seus dois filhos e sua esposa que sempre cobra sua presença nos fins de semana.
José e Marco, dois pais de família estavam na rua por diferentes motivos. A esposa de José começou a ficar preocupada (mais ainda) pelo fato do marido não ter voltado, ela estava com fome, estava há dois dias sem comer. Os minutos pareciam horas, estava com um pressentimento ruim.
Marco recebe uma informação de que há um suspeito subindo as escadas rumo à rua da Piedade e que possivelmente estaria com drogas porque portava um pacote.
A filha ouviu um grito do lado de fora:- Pega esse aí, ele tá com droga no saco, atira na nuca! E deu para ouvir três tiros, assustadas as duas correram para olhar no buraco da parede para ver quem eles haviam atirado, e quando elas viram, era ele: o homem da casa, o pai, o marido, a esperança de matar a fome, morto com três tiros (dois no peito e um nas costas). Marco comemorou achando que tivera matado mais um criminoso, correu para ver o que tinha dentro do pacote, mas quando ele abriu encontrou apenas três pães, suspirou e em seguida gritou:- Míseros pães!
A esposa e a filha de José desceram as escadas, a filha foi logo na frente e ajoelhada chorou ao lado do corpo do pai, dizendo bem baixinho:- Papai, não tenho mais fome, acorda, por favor. Marco entrou em estado de choque e logo em seguida sua esposa liga para o celular:- Amor, não esquece de comprar o pão ok? Os meninos querem comer cachorro-quente.

quinta-feira, julho 05, 2007

Para sempre, Joana




Por: Priscila Silva

Num quarto e sala decorada com quadros rosas, plumas de diversas cores e um sofá verde cana mora Joana. Uma pessoa batalhadora que acorda todos os dias às 5:00 da manhã para ir ao salão de beleza, não para se embelezar e sim embelezar os outros, trabalha como cabeleireira. Ela é bastante querida no trabalho. Suas clientes são fieis e todos admiram o seu jeito de ser, de encarar a vida com bastante alegria.
Joana sofreu muito. Tudo começou na sua pré-adolescência, aos 12 anos sabia que algo de errado acontecia consigo, seu comportamento era diferente das outras crianças. Ao invés de querer jogar bola, vídeo game e brincar com os meninos na rua, Luís Henrique preferia ficar em casa, prestando atenção nos bordados que sua avó fazia, lia revistas de moda e conversava com as garotas de sua vizinhança.
Foi passando o tempo e Luís Henrique conseguiu mostrar a todos da sua família o que ele era e o que ele pensava. Assumiu a sua homossexualidade aos 20 anos quando enfim apresentou o seu primeiro namorado. Luís Henrique mudou seu nome para Joana, nome de sua avó, admirava-a pela força e garra.
Joana se tornou um exemplo de pessoa, conseguiu mudar a visão de muitos em torno do preconceito, ela provou que ser homossexual é normal e que todos deveriam respeitá-la (sempre repetia “respeito é bom e eu gosto”).
Mas, numa fatídica sexta feira, Joana resolveu ficar até mais tarde no salão. Notou que os esmaltes estavam todos fora de lugar, escovas com poeira e as plantas sem regar. Arrumando o salão, Joana ouve sua música favorita “Iolanda” de Pablo Milanés tocar no rádio, aumenta até o último volume e curte aquele momento que é só seu.
Depois de tudo arrumado, "ela" fechou o salão e seguiu rumo à sua casa. No caminho existe uma boate onde na entrada ficam vários jovens, preferiu apressar os passos porque não queria ser alvo de chacotas para os “mauricinhos”. Foi apressando os passos, achando que ninguém notava seu desconforto, até que logo à frente é abordada por três rapazes que pareciam alcoolizados, um chegou e a segurou por trás, outro vasculhou sua bolsa e o último possuía um revólver calibre 38, que ameaçava atirar se ela gritasse. Joana estava em pânico e pedia para que eles deixassem ela ir embora, poderia levar tudo, ela acabara de receber seu salário nesse mesmo dia, mas eles não queriam nada, queriam zombar, xingar e humilhar Joana.
O que estava armado ficava brincando dizendo que ia atirar, fechava os olhos e mirava ao léu, até que de repente ele atirou e atingiu a testa de Joana, o rapaz que segurava Joana gritou “Cara, você matou o viado!” Mais do que depressa os três rapazes saíram de lá correndo. Joana após receber o tiro, caiu no chão sujo e com o impacto do seu corpo no chão partiu seu colar de pedrinhas azuis. Entre o vermelho do sangue e o azul das pedrinhas, Joana se destacou.

quarta-feira, junho 27, 2007

Dorme, menina...




Dorme menina, dorme...
Teu sonho é puro,
O mundo é ingênuo
E seguro.

Dorme menina, dorme...
O conforto de sua cama,
Faz você sonhar,
Passa a dor e a vontade de chorar.

Dorme bem sossegada
A menina que antes era “levada”.

Dorme, dorme,
Dorme, dorme...
Num sono profundo.

sábado, junho 16, 2007

Cidadão virtual



Enquanto muitos lutam para serem inseridos no mundo digital, cá estou eu lutando para sair. Estou cansada deste mundo moderno, colorido e perigoso que transformou o ser humano em bytes, pixels e entre outros nomes complicados. Quero sair, respirar o ar puro, ver a cor natural das coisas, conversar com as pessoas pessoalmente, não ter o simples ato de teclar e enviar a fala que muitas vezes vêm acompanhadas de bichinhos e bonequinhos saltitantes.
O mundo real é recheado de doenças e vírus, o mundo virtual não fica atrás. Até nisso a tecnologia tentou se assimilar à realidade. O tempo passa e os vírus se desenvolvem cada vez mais rápidos e infelizmente mais criativos.
Sem contar os males que a tecnologia causa ao homem não é mesmo? O computador não veio só para trazer boas notícias infelizmente aumentou as doenças de postura, articulares e lesões de mãos e braços, além de distúrbios oculares. Há ainda o risco da dependência, quando o mundo real já não agrada tanto assim, muitos recorrem aos chamados chats, bate papos on line que existem em diversos sites espalhados pela rede.
E quem disse que a atração está fora disso tudo? Tudo fica mais rápido e de fácil acesso, até as relações “amorosas” são movidas á cabos! O fato de conhecer a pessoa pelo que ela é e não pelo que ela possui torna-se algo bastante atraente para muitos desiludidos no amor. Este novo mundo cria cidadãos apegados ao virtual, que esquecem que o mais importante e necessário sentimento está fora do monitor. Mas engana-se quem acha que estas salas irão solucionar o problema, muito pelo contrário, elas podem agravar.
As pessoas que recorrem às salas de bate-papo a fim de acabar com a solidão tornam-se vítimas fáceis. O número de vítimas de homicídio oriundas da internet vem crescendo conforme o passar dos anos, as pessoas depositam confiança em outras que elas “acham” que conhecem e a partir daí mergulham de cabeça num chamado romance virtual, onde não existem limites para sonhar. Diversos psicopatas, assassinos e maníacos estão soltos por esse mundo digital, transformando o tão sonhado mundo “perfeito” em pesadelo.
Esse novo mundo é complicado, eu fico pensando, será que é necessário esta inclusão digital? É necessário. Mas se nós não tivermos pessoas preparadas para entrarem nesse mundo de que irá valer colocá-las nele? Será preciso um código de leis, informando como se deve agir e as penas para cada crime virtual cometido? Quem sabe até funcione melhor do que no mundo real, “A justiça tarda, mas não falha” espero que pelo menos para o mundo digital seja diferente. Seja mais eficiente.
Há violência na internet de todas as formas: pedofilia, prostituição, tráfico de drogas, encontros suicidas e entre outros que possivelmente devem existir e que os desconheço. Vou me desviando de bytes perdidos (na internet também existe!) para ser uma cidadã-virtual que por todos os males existentes, faz de tudo para ter um papel fundamental nesse novo mundo, o digital.

quarta-feira, junho 13, 2007

A morte passou por aqui



A morte passou por aqui
Estava sorridente
Chegou perguntando
Quem queria partir.

Um levantou o braço
Alegando que queria ir
Sumir logo dali
Porque estava muito fraco.

Ela o olhou
Dos pés a cabeça
E disse que ainda
Tinha muita coisa por vir.

Uma senhora
Olhava para o céu
Como se esperasse algo
A morte na espera
Ficou ao seu lado.

Ela não sabia
Onde estava.
Apenas sabia que
Muita gente lá morria.

O chão era seco
E não tinha vegetação
Muita gente passava fome
Implorando um pedaço de pão.

A morte que não tinha coração
Conseguiu ficar chocada
E logo pensou: - Como pode um ser humano
Viver nesta situação?

De longe ela viu um senhor
Que gritava
A seguinte lamentação:
Nesta terra que muita gente vem morrendo,
O chão é sempre fervendo
E a água só brota no pensamento...
Morar aqui é mais do que pagar pecado
É viver em eterno sofrimento.

A mulher
Com um balde na cabeça,
Segurando o seu filho
Enxergou a morte,
E com um olhar de tristeza
Pediu com firmeza: - Nos leve daqui!

A morte penalizada,
Sentou-se na terra desidratada
E atendendo ao pedido
Levou a mãe e o filho.

segunda-feira, junho 11, 2007

Dia dos namorados


Bem, resolvi colocar este pequeno poema em homenagem ao dia dos namorados. Parabéns aos casais apaixonados! Viva o amor!


"Bom mesmo é ter um namorado"

Pra começo
De qualquer papo
Quem já teve ou quis ter um namorado?

É dizer que vai sair,
E saber com total firmeza
Que terá alguém ao seu lado.

É comer pipoca,
Assistindo "Sessão da tarde"
Como se tudo aquilo fosse novidade.

É ir ao shopping
E ver em todos os presentes
A cara do namorado.

É ter ciúme de besteira
E depois tentar fazer as pazes
De qualquer maneira.

É achar graça em tudo
E enxergar a vida,
Com olhos do futuro.

Mais do que engraçado...
Bom mesmo,
É ter um namorado.

(Priscila Silva)

domingo, junho 10, 2007

Trânsito da vida


Todo dia eu acordo às 5:30 da manhã com o meu despertador que mais parece uma sirene. Correndo vou logo tomar meu banho e em seguida o café. Procuro a chave do carro, isso leva uns dez minutos, pois nunca sei onde as deixo. No trânsito é aquela confusão, tanta buzina, vários carros e eu preciso ter paciência. O caminho para o trabalho já me deixa cansada. Engarrafamento já é coisa normal, coitado dos motoristas, como sofrem! Vou seguindo o caminho, aumento a velocidade, enfim encontro um sinal aberto! Mas foi inválida a minha tentativa, o sinal logo passa para o amarelo. Não demora muito para meu carro ser rodeado de crianças famintas pedindo moedas, vendendo frutas e balinhas. Um dos meninos fazia malabares, outro beijava o capô do carro, procuravam de várias formas ganhar um trocadinho. Acho que o sinal deve está quebrado, já estou farta de tanto esperar. Até que aparece uma mulher ao lado do meu carro, mas não com uma mão estendida, trazia no olhar uma mensagem, a qual não conseguia interpretar, já imaginei, mais um pedinte, eu apenas balanço o dedo informando que não tenho moedas, ela simplesmente me olhou e disse:- Minha senhora, o sinal está amarelo, ele pede atenção não somente para o trânsito, mas também para nós que moramos na rua. Fiquei paralisada com aquela frase, não saiu sequer uma palavra e em seguida o sinal abriu. E o meu carro ficou ali, parado

sexta-feira, junho 08, 2007

O que escrever numa folha de papel?


O que escrever
Numa folha de papel?
Posso rabiscar,
Desenhar ou
Quem sabe fazer um chapéu.
Numa folha de papel
Crio o meu mundo
Sem violência
E sem absurdos.
Ahhh...se o Brasil
Fosse um folha de papel!
Com tantos pedidos sofridos
Por tamanha misericórdia
Ganharíamos um troféu.
Cada qual com sua caneta,
Iria afastar o mal
E riscar com muita força a tristeza.
E você, brasileiro,
Precisa de uma folha
Ou de um caderno inteiro?

(Priscila Silva)

sexta-feira, junho 01, 2007

Loucademia de Polícia




Por: Priscila Silva Foto: Arllen Victor


Infelizmente não estou me referindo ao filme de comédia dirigido por Hugh Wilson. Estou tratando da nossa polícia militar. O que é que está acontecendo com o Brasil? Alguém poderia me responder? No último sábado (26), aconteceu uma tragédia na cidade de Rondonópolis no estado de Mato Grosso. O que era pra ser uma simulação da polícia em torno de um seqüestro, tornou-se algo real e com um final triste. O estudante Luís Henrique Dias Bulhões, 13, foi baleado na cabeça por um dos policiais que simulavam uma invasão a um ônibus que supostamente estaria com dois criminosos, os quais mantinham os passageiros como reféns. Falta de preparo e muita irresponsabilidade em colocar por "engano" balas de verdade no lugar de balas de festim e o pior disso tudo, foi envolver crianças nesta ação cuja as armas eram três espingardas calibre 12 . Imagina só, numa simulação aconteceu isso, o que aconteceria se fosse uma situação verdadeira?
Infelizmente o Brasil está em crise, mães estão chorando, filhos estão chorando! Sinto muito em dizer isso, me magoa profundamente, aquele famoso ditado que todos proferiam “sou brasileiro e não desisto nunca” está indo por água abaixo. Se a nossa segurança está falha o que será de nós todos? Todo dia morre uma pessoa, aliás, mais do que uma! E o que a segurança pública faz? Apenas cruza os braços e lamenta. Será assim até quando?

quinta-feira, maio 24, 2007

Quem disse que a Bahia é só felicidade?


Ó Paí, ó...
Filme Ó Paí, ó mostra um olhar crítico

Por: Priscila Silva

Para quem ainda não assistiu o filme, deduzindo que conhecia tudo sobre a Bahia e o seu produto de exportação, o carnaval, está muito enganado. Muitos comentários do tipo: “não recomendo á ninguém assistir este filme” “morri de rir, muito bom!” E até “sem graça, pensei que fosse melhor”. Resumindo, vários comentários sendo eles ruins e bons. Mas, o filme surpreende a quem assiste. Rico em música baiana, gírias, culinária, brincadeira, rivalidade entre religiões e muita confusão a diretora Monique Gardenberg decidiu trazer a peça “Ó pai, ó” realizada pelo Bando de Teatro Olodum no Teatro Vila Velha que fica em Salvador, para o cinema. A história se passa num cortiço situado no Pelourinho, onde habita várias “figuras” dentre elas: mãe de santo, evangélica, travesti e por aí vai...Depois da revitalização do Pelourinho, os moradores sofrem com as transformações e conseqüentemente com a “invasão” de turistas, que por um lado beneficia (lucro e comércio) e por outro lado exclui-os (exploração de diversas formas). Tudo isso é mostrado na semana de carnaval, com cenas engraçadas e marcantes mostra a triste realidade, que muitos (não somente os baianos) não vêem. É necessário dizer: Ó PAÍ, Ó para o que está acontecendo? Será que as pessoas não conseguem ver que cada dia que passa a desigualdade social aumenta? Que muitos morrem por não ter dinheiro? Que muitos morrem pelo fato de ser diferente em relação a sua raça? O filme Ó Pai ó é uma denúncia a triste realidade do Pelourinho que sofre pelo fato da força “embranquecedora” agir no local.
O filme que para muitos seria uma comédia, mostrando a tão famosa alegria do baiano, aquela alegria que é exportada (devido ao carnaval) chocaram-se ao ver que existe outro lado...Não só de alegrias vive Salvador. Na avenida onde muitos desfilam com seus abadás caríssimos, onde os camarotes cada dia que passa tomam mais espaço da avenida deixando a massa de gente, a tão conhecida como “pipoca” mais espremida do que bagaço de caldo de cana, também abriga miseráveis, prostitutas e crianças abandonadas. Onde o turismo esperado por muitos, destrói e conturba a vida dos moradores. Como é o caso do personagem Seu Jerônimo interpretado pelo ator Stênio Garcia, que é um comerciante de uma loja de objetos antigos no Pelourinho, que tenta de qualquer forma afastar os meninos de rua para melhorar a visita dos turistas á sua loja. O elenco é bem formado dou destaque para dois atores: Lázaro Ramos, que interpretou o personagem “Roque”, um homem que tem o sonho em ser cantor e que se vira como pode para driblar a falta de dinheiro e a personagem “Dona Joana” interpretada pela atriz Luciana Souza que é evangélica fervorosa, que se diz dona do cortiço, vive fuçando a vida alheia e que é mãe de Cosme e Damião.
Quem gosta de boa música não irá reclamar do filme, a trilha sonora cantada por vários artistas baianos como Jauperi, Tatau, Fechine e entre outros se encaixa perfeitamente com cada cena...Uma das músicas cantada por Jauperi “Canto do mundo”, cuja composição é de Caetano Veloso expressa a triste realidade do Pelô: “Presse canto do mundo/De onde é que ele virá /Do meu sonho profundo/Ou do fundo do mar/ Com que voz cantará/Com que luz brilhará/Há de vir seja como for/Presse canto do mundo/De onde virá o amor? /Nessa vida vazia /Por que tarda meu bem? /Uma imensa alegria /Que se guarda pra quem? Seja um anjo do céu /Seja um monstro do mar/Venha num disco voador/Mas que saiba que é meu/No segundo que olhar/Pelo encanto maior/Presse canto do mundo/Quando virá o amor? /O meu amor... /O meu amor...”.Um filme pra reflexão, tanto serve para os donos de camarote tanto para os catadores de latinha.

domingo, maio 20, 2007

"Mas é ciúme, ciúme de você..."


Por:Priscila Silva

“Você está olhando para quem?”, “Vai sair assim para onde?”, “Você ultimamente está cheio de amigos”, “Não gosto quando você vai para festas, sozinha (o)”. Atire a primeira quem nunca teve uma crise de ciúmes. Ele, que é tão presente em relacionamentos amorosos surge como algo positivo ou negativo, dependendo da sua dosagem...Qual a função desse sentimento que incomoda tanto as pessoas? Considerado como “tempero do amor”, o ciúme mantém acesa a chama da relação, o desejo pelo parceiro e o receio em perdê-lo. As pessoas priorizam tanto esse sentimento que, se na relação não tiver ciúme, tem algo de errado. Além de ser instintivo, também é prova de amor!
O único problema é quando essa chama aumenta e toma grandes proporções criando uma situação fora do controle. É considerado um sentimento normal, desde o tempo dos homens das cavernas se existia, (mesmo as pessoas achando que naquele tempo os homens eram quase animais que não possuíam sentimentos).O ciúme nunca vem sozinho, ele vem acompanhado do medo, da baixa auto-estima, da insegurança e desvalorização de si mesmo, ele não é considerado uma doença séria, mas sim, um distúrbio de comportamento que gera sofrimento para quem tem e para quem é o objeto do ciúme.
Saindo do padrão “normal”, ele se torna excessivo, capaz de tornar o amor em obsessão, um exemplo claro de ciúme excessivo é a síndrome de Otelo, baseado num personagem de William Shakespeare que sofre com as dúvidas e pensamentos em relação a sua mulher. A mente de uma pessoa que sofre desse problema imagina situações que não são reais, situações criadas e tudo piora quando o portador do ciúme encontra alguém para alimentar ainda mais os seus pensamentos doentios. A história de Shakespeare tem um trágico fim, Otelo que por sua vez foi induzido a problematizar a questão por auxílio de "amigos", que sempre estavam supondo que possivelmente ele estivesse sendo traido. Com a mente cheia de histórias, Otelo movido por seu ódio acaba matando a amada. O indivíduo que sofre de ciúme excessivo torna-se vulnerável. acredita em tudo que é dito por qualquer pessoa, transforma os seus pensamentos e suposições em realidade.
O ciúme tem quer ser saudável na relação, aquela “pontinha” de ciúme quando o seu (a) parceiro (a) chama atenção na rua, pode também servir para que ambos trabalhem a sua auto-estima. Podendo pensar "Se ele(a) está chamando tanto atenção, vou mostrar que eu também tenho minhas qualidades."
O ciúme não atormenta somente no presente, o tão temido passado também é culpado. Os relacionamentos anteriores vêm na mente do ciumento(a) como uma bomba atômica. Saber como era a relação anterior sempre causa dúvidas e possíveis "conclusões" (que na maioria das vezes são criações da mente) não adianta se explicar para uma pessoa ciumenta, ela nunca irá acreditar, sempre duvida de tudo e milhões de imagens passam em sua cabeça.
Há também uma grande diferença, o ciúme considerado normal dá-se num contexto interpessoal, entre o sujeito e o objeto, enquanto o ciúme excessivo seria intrapessoal, só dentro do sujeito. O ciúme normal envolve duas pessoas e o excessivo mais do que duas ou até pessoas que nem existam.
Toda pessoa que sofre de ciúme excessivo ou qualquer outra linhagem que venha interferir sua própria vida ou a vida alheia, precisa de tratamento pois esta doença o coloca num mundo que somente ela vive.

sábado, maio 05, 2007

Sentimento moderno

Todos os dias ela ficava ansiosa para encontrá-lo. Contava os minutos para sentir a alegria tomar conta do seu espírito, que vivia vazio. Ele apareceu em sua vida de uma forma diferente e instalou-se como se conhecesse há anos, tanto que os papos noturnos eram tão agradáveis que se sentia mais á vontade do que com algumas pessoas mais “íntimas”. As conversas faziam ela sonhar, sair da realidade e entrar num mundo que somente eles dois conheciam. Foi ficando óbvio para os dois, que aquele suposto sentimento de amizade havia se transformado em outro, não sabiam distinguir o que sentiam. Ele adorava ver suas fotos, dizia que ela era muito bonita, ela acreditava e falava “como duvidar de você?”. A vontade de conhecê-la ainda mais, permitindo a descoberta dos mínimos detalhes, deu-lhe um grande prejuízo e impossibilitou o encontro durante um mês... Maldito HD resolveu queimar na hora errada.

(Priscila C. Silva)

quinta-feira, maio 03, 2007

Estudante sofre represálias ao exigir direitos



Estudante sofre represálias ao exigir seus direitos

O estudante de administração, Marcell Carvalho de Moraes, 28, vem liderando diversos movimentos estudantis em Salvador. Ele que tem a função de presidente do diretório acadêmico da FACET (Faculdade de Artes, Ciências e Tecnologia) fez uma manifestação contra o aumento abusivo das mensalidades. Tendo como resultado: perseguição em agosto de 2006, suspensão por 15 dias das atividades acadêmicas e processo por questionar os direitos dos estudantes. Hoje, Marcell com sua determinação poderia ocupar uma cadeira na câmara dos deputados e questionar os direitos dos Soteropolitanos.

Priscila Silva

Priscila Silva-Quando começou a manifestar o espírito revolucionário?
Marcell Moraes -Aconteceu por acaso, a partir do momento em que eu vi tantas injustiças, comecei a me manifestar. Em agosto de 2005 ganhamos as eleições para o Diretório Acadêmico de Administração da FACET, assim que assumimos percebemos de imediato que os D.As anteriores eram muito mais ligados em defender os interesses da direção, do que os interesses dos estudantes. Adotamos de imediato uma nova postura, deixamos claro para todos da FACET, que não aceitávamos e não queríamos desconto ou bolsa alguma, que era de costume para os membros e presidentes dos D.As anteriores a nossa gestão. Começamos a luta e percebemos que os direitos dos estudantes estavam sendo esquecido e lesado pelos "poderosos" da FACET, comecei junto com os membros do D.A de ADM questionar e cobra da direção uma melhor estrutura, um melhor ensino, um estacionamento para os alunos, redução da mensalidade, segurança, entre outras. Acabamos conseguindo algumas, inclusive a redução da mensalidade.

P.S-Como aconteceu essa perseguição e porquê?
M.M-A partir desses nossos questionamentos, e com as conquistas, começamos a ter confiança dos estudantes, e despertou para Coordenação um problema grave, pois antes todos "comiam quietos" agora estão cobrando seus direitos. Os "poderosos" após uma outra manifestação interna me deram uma suspensão das atividades acadêmicas e a proibição de entrar da faculdade por 15 dias e ainda fui retirado por 02 seguranças, tenho o vídeo desses episodio gravado por um celular de um amigo e com certeza ficou registrado na minha memória e não vou esquecer nunca mais! Logo após esses fatos os estudantes da FACET, junto com outros representantes de entidades estudantis, fizeram uma enorme manifestação na porta da faculdade, com faixas, apitos, questionando a suspensão arbitrária e perseguidora que levei, a imprensa noticiou o acontecido durante mais de uma semana. Os "poderosos" não satisfeitos com a repercussão e tentando calar mais uma vez a minha voz, entrou com um processo de expulsão da faculdade e ainda a coordenadora do curso Ceres Guedes entrou com um processo na justiça comum contra a minha pessoa. Em audiência interna e registrada em ata a coordenadora afirma que entrou na justiça com o apoio e influencia da direção. Ambos os processos respondem até hoje. Mas como disse o revolucionário Ernesto Che Guevara “Os poderosos podem matar, uma, duas ou até três rosas, mas nunca deterão a primavera”.

P.S -Você tem receio em ser perseguido novamente?
M.M - Já ouvi vários comentários a respeito disso, pessoas, amigos me alertando, mas para ser sincero não tenho medo algum, mesmo sabendo que isso pode acontecer sim, assistimos todos os dias casos em jornais sobre esses absurdos. Mas acredito muito no meu Deus, minha razão de tudo e nada acontece por acaso, tudo estar escrito e se esse absurdo estiver escrito que eu espero que não (risos) é melhor ser um derrotado lutando, do que ser um vitorioso sem lutar.

P.S- Além de pertencer ao movimento estudantil e Presidente do Diretório Acadêmico da FACET está envolvido em mais atividades? Quais?
M.M- Sou diretor da união dos estudantes da Bahia (UEB) e recentemente fui nomeado pelo governo Wagner, coordenador Geral de Eventos sócio culturais do Parque Metropolitano de Pituaçu.

P.S- O que acha da política adotada no estado da Bahia?
M.M- Bem, acredito que estamos no caminho certo, Wagner montou uma equipe altamente competente, que com toda certeza vamos ser modelo para outros estados.

P.S- Está contente com o atual quadro político do Brasil?
M.M-Sim, a sociedade está se interessando e participando mais com a política e driblando políticos oportunistas que se quer defendem algum tipo de "bandeira”. Aqui na Bahia praticamente limpamos muitos desses oportunistas, mas ainda faltam alguns que com toda certeza não devem passar das próximas eleições para serem extintos! Acredito que só existe uma forma de mudar o Brasil, que é através da política, é preciso que as pessoas "boas" se interessem mais e acabe de vez com o preconceito contra políticos, pois se continuarmos achando que todos são iguais então é melhor lagar tudo e virar hippie.

P.S- Qual a maior dificuldade em liderar grupos estudantis?
M.M-A falta de interesses de muitos, os estudantes hoje estão muito acomodados e esquecendo que tudo que conseguimos até hoje no nosso país foi através dos estudantes, da ditadura militar ao fora Collor e até mesmo aqui em Salvador com a liberação de usar o “Smart Card” aos finais de semana!

terça-feira, maio 01, 2007

O calor e a praia de Salvador




O calor de Salvador
É assustador!
Derrete até o gelo
Que está no congelador.

Suas praias belas
Ficam lotadas
Há disputas por cadeiras
E há procura pela “gelada”

O cheiro do bronzeador,
Do acarajé e do peixe frito
Junto com o som que sai do carro
O ambiente fica mais bonito.

Salvador, Salvador...
Seu calor é primor.
(Priscila C. Silva)

domingo, abril 29, 2007

Solidão


Solidão...

Mas que visita chata, não? rsrs







Neste frio da solidão,

As horas passam lentas e nuas

Totalmente sem proteção.



Não há barulho,

Não há emoção...

Apenas lamentação.



Mãos entrelaçadas não existem

A solidão entrou na história

Ela muda tudo, não duvide!



Não adianta chorar.

É levantar

E respirar.



A solidão tem começo

O importante disso tudo

É saber que ela pode terminar.



(Priscila C. Silva) 30/04/2007

quarta-feira, abril 04, 2007

Mudança



Que interessante...Depois de quase 21 anos de adaptação nesta minha terra chamada Bahia, vim dar valor (não que antes eu não a considerava) aos seus encantos. Pois é, estou saindo, melhor dizendo, me mudando. Tudo bem, não é para tão longe assim (365km apenas) estarei indo para Aracaju, a famosa cidade do caju, carangueijo e forró!

Não estou abandonando minha família, meus amigos e colegas como muitos insistem em dizer...risos! Estou me mudando, gente! Uma mudança de local e cultura. Não irei mais ouvir o som magnífico do berimbau, não terei mais o prazer em ver frequentemente as baianas de acarajé com seus vestidos rodados brancos e é claro, não comerei os famosos abarás e acarajés, lá em Aracajú também vende, mas não se compara com o daqui.

Me partiu o coração ouvir meu priminho de cinco anos dizer: "Vocês vão me deixar? Vão embora de verdade, eu não quero isso!" , agora imagine minha cara, depois de ouvir uma dessa. Fiquei emocionada e o tranquilizei dizendo que iria voltar sempre para vê-lo...ele entendeu (tomara!)

Eu vou embora...mas não quero ver tristeza e nem quero senti-la! Quero lembrar de coisas alegres, boas, engraçadas, momentos inesquecíveis que todos os meus amigos me proporcionaram, até os momentos ruins (que me fizeram aprender e consequentemente crescer). Sergipe em breve terá uma jornalista "mista" uma baiana-sergipana, essa mistura vai dar o que falar heim gente??


Um abraço a todos e obrigada por tudo!

sábado, março 24, 2007

Cores




Por: Priscila Silva Foto: http://www.lg-itzehoe.de


Num vernissage, uma jovem não contente com os quadros que está vendo, puxa conversa com um senhor logo ao seu lado.
-Nossa, os quadros estão estranhos, tão coloridos! Está fazendo com que eu fique com dor de cabeça, a grama ao invés de ser verde, é um “verde-cana”, o sol é amarelo fortíssimo, casas cor de rosa-choque, isso não é uma exposição e sim uma poluição visual!
-Jovem, desculpe-me, mas não concordo com você. No meu ver, o artista quis colocar nos seus quadros a importância que cada coisa tem em nossas vidas, e o que faz ser importante é o excesso de cor, para mostrar que estão presentes.
-Nossa, que bonito isso, que você disse, fiquei agora constrangida com tamanha gafe cometida! Obrigada pela lição.Vou indo, tenha uma boa tarde.
-Cores...Quem me dera poder vê-las novamente...
*Para os curiosos o senhor cego estava acompanhado dos seus familiares, foi á vernissage para não ficar só em casa.