segunda-feira, dezembro 24, 2012
quinta-feira, julho 30, 2009
Nós

Entre o grito e o silêncio
Eu me perco
No movimento.
Sua boca sussurra
E o meu coração escuta.
No escuro
O seu olhar tenta mostrar
O brilho que nunca quis apagar.
Suas mãos estão presas
No meu corpo
Como se fossem uma teia.
Sua língua desliza
A cada parte que passeia.
Quero que venha
E me invada
Tornando o meu corpo
A sua casa.
As pontas dos seus dedos
Trazem a necessidade do desejo
Que permeiam os meus sonhos
E trazem aos meus olhos
A realidade que vejo.
(Priscila Silva)
quarta-feira, julho 29, 2009
Quanto vale uma vida?
Quanto vale uma vida?
Um pedaço de pão
Que tira a fome
E enche a barriga.
Quanto vale uma vida?
Um revólver carregado
Que com um tiro
Leva a vida de um coitado.
Quanto vale uma vida?
Uma decepção,
Uma ilusão,
Um amor que causou ferida.
Quanto vale uma vida?
A falta da cura
Da doença maldita.
Quanto vale uma vida?
O desespero
A solidão
A janela que chama e grita.
Quanto vale uma vida?
Para um alguém
Que dorme e acorda
No chão de uma avenida.
Quanto vale uma vida...
Até quando, a vida vale?
(Priscila Silva)
Um pedaço de pão
Que tira a fome
E enche a barriga.
Quanto vale uma vida?
Um revólver carregado
Que com um tiro
Leva a vida de um coitado.
Quanto vale uma vida?
Uma decepção,
Uma ilusão,
Um amor que causou ferida.
Quanto vale uma vida?
A falta da cura
Da doença maldita.
Quanto vale uma vida?
O desespero
A solidão
A janela que chama e grita.
Quanto vale uma vida?
Para um alguém
Que dorme e acorda
No chão de uma avenida.
Quanto vale uma vida...
Até quando, a vida vale?
(Priscila Silva)
segunda-feira, julho 13, 2009
Sangue
sexta-feira, julho 03, 2009
Vaidade
Parou em frente ao espelho. A vaidade gritava em cada detalhe do seu belo rosto, seus olhos levemente puxados e sua boca rosada e carnuda despertavam paixão a quem a olhasse. Sempre ao se olhar cumpria um ritual de sorrir e dizer a si mesma: “Sou linda por dentro e por fora”. E foi num desses rituais, que ela então se perdeu. Ao parar em frente à sua própria imagem, estranhou-se e por um momento entrou em desespero, quis saber quem ela era e onde estava. Mas não adiantava quanto mais se questionava, mais se perdia. Entrou num labirinto onde a saída não existia. A sua própria voz a assombrava. Pânico. Sentou no chão e começou a fazer barulhos que fizessem a voltar ao seu mundo real. Conversava com o espelho e pedia de volta a sua imagem e a sensação de “ser” Uma hora havia se passado e o suor escorria em seu belo rosto como uma cascata, implorava por um gesto de qualquer pessoa, para mostrar que o mundo é muito além do dela.
sábado, junho 20, 2009
Quanto ao tempo
segunda-feira, junho 01, 2009
Desigual
quarta-feira, abril 29, 2009
Aos poucos
terça-feira, março 03, 2009
Mal
O relógio marcava 03:00 hrs da manhã, acordei com o coração acelerado e suava bastante. Levantei da cama e tive a impressão de que flutuava em um imenso mar, onde apenas um barco navegava, no caso, o meu. O meu peito estava cheio de ar e isso não estava me fazendo bem por que não conseguia gritar. Uma sensação de pânico tomou conta de mim, quis fugir, mas para onde? Resolvi então ir até a sala, ligar a TV e assistir algum filme, não ligava, para minha falta de sorte, não havia energia.
Fui até a janela e com o peito estufado gritei:- Socorro! Estou sozinha! E ninguém se quer ouviu, nem os cachorros que dormiam debaixo dos carros, nem os bêbados a cambalear nas calçadas pararam para me escutar. Uma lágrima escorreu no meu rosto e à medida que escorria, queimava a pele, como um ácido. Nesse momento percebi que até chorar, me fazia mal.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Mudar?
sexta-feira, outubro 24, 2008
Educação
Colégio Atheneu comemora 138 anos
Com avanços ao longo do tempo, colégio se destaca no ensino público

Por: Priscila Silva Foto: Priscila Silva
O Colégio Estadual Atheneu Sergipense hoje, 24, está comemorando mais um ano. Em clima de festa, alunos e professores comemoram em grande estilo com apresentação da banda marcial do colégio e orquestras.
“Hoje é um dia especial, 138 anos de história, o Atheneu é o berço da intelectualidade sergipana, aqui estudaram muitas pessoas ilustres do estado. Temos inúmeros motivos para comemorar”, disse o atual diretor do colégio Genaldo Freitas. De acordo com ele, a maior preocupação do colégio é a formação do cidadão.
Ao som do Hino Nacional no hall do colégio, alunos, professores e funcionários se posicionam para hastear as bandeiras. “É um momento de grande emoção para nós que trabalhamos aqui. Observando o avanço e a motivação dos alunos em estudar”, disse a professora Jussara Marques.
Novidade
O colégio vem sendo destaque no ensino público da capital sergipana, trazendo aos estudantes o contato direto com a tecnologia. Um dos motivos para a comemoração foi também a instauração do boletim on-line, que destacou o colégio público entre os particulares.
“Inauguramos hoje mesmo o boletim. Esse é um grande avanço, a idéia de colocar o boletim já vinha sendo estudada há dois anos. É o primeiro site da escola pública”, informa Genaldo. Os pais receberão uma senha de acesso ao site, onde irão acompanhar notas, faltas e comentários dos professores sobre o desempenho do aluno.
Com avanços ao longo do tempo, colégio se destaca no ensino público

Por: Priscila Silva Foto: Priscila Silva
O Colégio Estadual Atheneu Sergipense hoje, 24, está comemorando mais um ano. Em clima de festa, alunos e professores comemoram em grande estilo com apresentação da banda marcial do colégio e orquestras.
“Hoje é um dia especial, 138 anos de história, o Atheneu é o berço da intelectualidade sergipana, aqui estudaram muitas pessoas ilustres do estado. Temos inúmeros motivos para comemorar”, disse o atual diretor do colégio Genaldo Freitas. De acordo com ele, a maior preocupação do colégio é a formação do cidadão.
Ao som do Hino Nacional no hall do colégio, alunos, professores e funcionários se posicionam para hastear as bandeiras. “É um momento de grande emoção para nós que trabalhamos aqui. Observando o avanço e a motivação dos alunos em estudar”, disse a professora Jussara Marques.
Novidade
O colégio vem sendo destaque no ensino público da capital sergipana, trazendo aos estudantes o contato direto com a tecnologia. Um dos motivos para a comemoração foi também a instauração do boletim on-line, que destacou o colégio público entre os particulares.
“Inauguramos hoje mesmo o boletim. Esse é um grande avanço, a idéia de colocar o boletim já vinha sendo estudada há dois anos. É o primeiro site da escola pública”, informa Genaldo. Os pais receberão uma senha de acesso ao site, onde irão acompanhar notas, faltas e comentários dos professores sobre o desempenho do aluno.
domingo, setembro 28, 2008
Além da imagem
“Oi Priscila, olha para cá!”, disse uma voz vinda do espelho. “Não tenha medo, olhe no espelho. Estou olhando para você”, continuou. A reação que eu tive foi sair correndo do banheiro e em minha mente só veio um ditado popular quem procura, acha. Sempre tive vontade de descobrir o que tinha dentro do espelho e nos meus sete anos, descobri.
Nos primeiros contatos entre a voz que saía do espelho e eu, apenas trocávamos palavras curtas como “oi”, “tudo bom?”. A curiosidade que eu tinha em saber quem estava falando me fez vencer o medo de encarar o novo. Já possuía duas dicas, a voz estava saindo do espelho e parecia ser de um menino porque o tom de voz não era grave.
Não me contentei apenas com essas informações e numa tarde onde todos da minha casa haviam saído, criei coragem, estufei o peito e disse “Estou pronta!”, entrei no banheiro, peguei uma cadeira e subi. Olhando para o espelho, eu disse “Apareça, quero saber quem é você. Não estou com medo, já tenho sete anos!”.
No espelho nenhuma imagem apareceu, quando decidi descer da cadeira, uma orelha grande e com pêlo branco apareceu no espelho.
Com o susto, acabei caindo, não levantei, permaneci no chão, olhando para a orelha que parecia ser de um coelho. “Ah, então você é um coelho! Como pode falar que nem gente?”, perguntei. No mesmo instante ele respondeu “Eu falo porque você deseja”.
Não entendi o que ele quis dizer com isso. “Quer saber de onde eu venho? Se quiser, eu mostro a você” disse o coelho me desafiando. “Eu topo”, prontamente aceitei.
Naquele momento, o espelho tornou-se imenso e revelou um mundo diferente, com um gramado verde brilhante com diversas flores coloridas, pude notar que era bem cuidado o jardim. Já sabia o que ele era e aonde ele morava, mas não sabia o seu nome.
“Como pude esquecer disto! Qual o seu nome, coelhinho?”, perguntei encabulada. “Nome? Estava esperando você me nomear. Não tenho nome ainda. Você decide”, respondeu o orelhudo.
A cada encontro, acrescentava algo novo ao coelho. “Seu nome será Jack”, informei ao coelho. “Jack? Porque esse nome?”, perguntou. “Minha avó costumava contar histórias para mim, de um homem que vivia pulando, alturas maiores que um prédio de 10 andares e ele só pulava assim para salvar a vida das pessoas”, respondi. “Que honra receber um nome de uma pessoa tão boa”, agradeceu.
A nossa amizade tinha uma grande importância, me ajudou a crescer, amadurecer e a tornar Jack cada vez mais real. Num determinado dia, quando retornei do colégio, não encontrei o espelho no banheiro, havia um outro. Nesse momento senti um forte aperto no peito e perguntei a meu pai “Meu pai, cadê o espelho que ficava aqui?”.
Sem saber da amizade que eu tinha com Jack, meu pai respondeu “Aquele espelho velho? Joguei fora minha filha, aquilo ali não servia pra nada. Olha pra esse espelho novo, é outra coisa não é?”, perguntou animado.
O que eu menos esperava, havia acontecido. A separação entre eu e Jack. Como estaria meu amigo coelho, jogado num lixo, suas belas flores estariam murchas e seu sorriso apagado.
Lavando meu rosto na pia, após ter chorado pela falta de Jack, ouço uma voz feminina dizer “Não chore, estou aqui pra te ajudar” e quando olhei para o espelho, não vi Jack e nem outro personagem, eu vi minha imagem refletida. Nesse momento pude perceber o quanto eu era forte e que a solução eu não iria encontrar em outros personagens criados na minha mente, a solução estava mais perto do que eu imaginava, estava dentro de mim.
Nos primeiros contatos entre a voz que saía do espelho e eu, apenas trocávamos palavras curtas como “oi”, “tudo bom?”. A curiosidade que eu tinha em saber quem estava falando me fez vencer o medo de encarar o novo. Já possuía duas dicas, a voz estava saindo do espelho e parecia ser de um menino porque o tom de voz não era grave.
Não me contentei apenas com essas informações e numa tarde onde todos da minha casa haviam saído, criei coragem, estufei o peito e disse “Estou pronta!”, entrei no banheiro, peguei uma cadeira e subi. Olhando para o espelho, eu disse “Apareça, quero saber quem é você. Não estou com medo, já tenho sete anos!”.
No espelho nenhuma imagem apareceu, quando decidi descer da cadeira, uma orelha grande e com pêlo branco apareceu no espelho.
Com o susto, acabei caindo, não levantei, permaneci no chão, olhando para a orelha que parecia ser de um coelho. “Ah, então você é um coelho! Como pode falar que nem gente?”, perguntei. No mesmo instante ele respondeu “Eu falo porque você deseja”.
Não entendi o que ele quis dizer com isso. “Quer saber de onde eu venho? Se quiser, eu mostro a você” disse o coelho me desafiando. “Eu topo”, prontamente aceitei.
Naquele momento, o espelho tornou-se imenso e revelou um mundo diferente, com um gramado verde brilhante com diversas flores coloridas, pude notar que era bem cuidado o jardim. Já sabia o que ele era e aonde ele morava, mas não sabia o seu nome.
“Como pude esquecer disto! Qual o seu nome, coelhinho?”, perguntei encabulada. “Nome? Estava esperando você me nomear. Não tenho nome ainda. Você decide”, respondeu o orelhudo.
A cada encontro, acrescentava algo novo ao coelho. “Seu nome será Jack”, informei ao coelho. “Jack? Porque esse nome?”, perguntou. “Minha avó costumava contar histórias para mim, de um homem que vivia pulando, alturas maiores que um prédio de 10 andares e ele só pulava assim para salvar a vida das pessoas”, respondi. “Que honra receber um nome de uma pessoa tão boa”, agradeceu.
A nossa amizade tinha uma grande importância, me ajudou a crescer, amadurecer e a tornar Jack cada vez mais real. Num determinado dia, quando retornei do colégio, não encontrei o espelho no banheiro, havia um outro. Nesse momento senti um forte aperto no peito e perguntei a meu pai “Meu pai, cadê o espelho que ficava aqui?”.
Sem saber da amizade que eu tinha com Jack, meu pai respondeu “Aquele espelho velho? Joguei fora minha filha, aquilo ali não servia pra nada. Olha pra esse espelho novo, é outra coisa não é?”, perguntou animado.
O que eu menos esperava, havia acontecido. A separação entre eu e Jack. Como estaria meu amigo coelho, jogado num lixo, suas belas flores estariam murchas e seu sorriso apagado.
Lavando meu rosto na pia, após ter chorado pela falta de Jack, ouço uma voz feminina dizer “Não chore, estou aqui pra te ajudar” e quando olhei para o espelho, não vi Jack e nem outro personagem, eu vi minha imagem refletida. Nesse momento pude perceber o quanto eu era forte e que a solução eu não iria encontrar em outros personagens criados na minha mente, a solução estava mais perto do que eu imaginava, estava dentro de mim.
quinta-feira, setembro 11, 2008
Espelho
Falar de espelho nem sempre é sinônimo de beleza ou qualquer outro assunto relacionado à estética. No meu caso, o espelho teve uma importância maior. Na infância, por volta dos cinco aos oito anos costumava, como toda criança, criar mundos onde a realidade e os personagens existiam da forma como eu desejava.
Minha mãe comentava ao ver uma de minhas brincadeiras “Onde é que essa menina arranja tanta história pra contar? Deve ser no colégio, só pode”.
Quando tinha sete anos, veio então a vontade de brincar com o espelho. Não costumava brincar só, convidava meu irmão que na época tinha três anos e meu primo que tinha seis.
O desejo de viver um mundo diferente, mais bonito e legal nunca esteve tão perto, era seguir o corredor da minha casa e dobrar à primeira esquerda e lá estava ele, grande e envolto numa moldura de alumínio com uma portinha onde dentro podia guardar escovas e pasta de dente.
O banheiro naquela época nunca tinha sido tão movimentado, era um entra e sai, eu e minha trupe à procura de aventuras, meu pai ficava furioso, quando tinha que tomar banho e não podia entrar “Meninos, o que vocês fazem tanto neste banheiro? Todo dia é isso”.
A cada dia que passava era mais fascinante o contato com o espelho, a vontade de viver as histórias era algo que tomava conta de mim, pegava uma cadeira e ficava de frente pra ele, como um alguém que admira um quadro ou qualquer obra de arte e isso levava horas que até me esquecia do tempo, e não ouvia se quer a minha mãe me chamar.
Uma das histórias que eu lembro, era de um coelho cujo nome era Jack, era branco, com olhos vermelhos (típico daquela canção da páscoa “de olhos vermelhos de pelo branquinho”) morava dentro do espelho e sempre era esperado com muita expectativa por nós durante o tempo todo.
Mas o ambiente não era vago, tinha uma diversidade de cores, era um imenso e colorido jardim, cercado de chocolates e guloseimas e detalhes puros e inocentes que uma criança pudesse imaginar.
Achava graça quando meu irmão, com quatro anos, chorando, dizia “Quero ver Jack, Pri, ele vem hoje?” E eu tinha que estar disposta a qualquer hora para levar meu irmãozinho para apenas dar um oi ao amigo coelho, que nem sempre estava presente já que ele tinha uma personalidade forte e só aparecia quando queria.
Com o passar dos anos não olhava mais o espelho como sua função, toda vez que eu passava por ele, tinha que conferir se havia alguma história rolando por lá, se havia novidades e entre outras curiosidades que não me recordo.
Mas essa relação com o espelho, não se limitou à infância, ele foi também meu amigo, meu inimigo e confidente na fase da vida mais linda e fácil de lidar, a adolescência. Foi meu ombro amigo, acompanhou todo o meu desenvolvimento, minhas angústias e medos.
Já na juventude, percebo o quanto ele faz falta, não digo na presença física, porque qualquer canto que eu olho, vejo sempre espelhos: em casa, nos carros, ônibus, janelas, chaveiros.
Nenhum desses espelhos passa a profundidade que somente aquele espelho da minha infância passou. Hoje não tenho mais nem o espelho e nem a inocência de tempos atrás.
Minha mãe comentava ao ver uma de minhas brincadeiras “Onde é que essa menina arranja tanta história pra contar? Deve ser no colégio, só pode”.
Quando tinha sete anos, veio então a vontade de brincar com o espelho. Não costumava brincar só, convidava meu irmão que na época tinha três anos e meu primo que tinha seis.
O desejo de viver um mundo diferente, mais bonito e legal nunca esteve tão perto, era seguir o corredor da minha casa e dobrar à primeira esquerda e lá estava ele, grande e envolto numa moldura de alumínio com uma portinha onde dentro podia guardar escovas e pasta de dente.
O banheiro naquela época nunca tinha sido tão movimentado, era um entra e sai, eu e minha trupe à procura de aventuras, meu pai ficava furioso, quando tinha que tomar banho e não podia entrar “Meninos, o que vocês fazem tanto neste banheiro? Todo dia é isso”.
A cada dia que passava era mais fascinante o contato com o espelho, a vontade de viver as histórias era algo que tomava conta de mim, pegava uma cadeira e ficava de frente pra ele, como um alguém que admira um quadro ou qualquer obra de arte e isso levava horas que até me esquecia do tempo, e não ouvia se quer a minha mãe me chamar.
Uma das histórias que eu lembro, era de um coelho cujo nome era Jack, era branco, com olhos vermelhos (típico daquela canção da páscoa “de olhos vermelhos de pelo branquinho”) morava dentro do espelho e sempre era esperado com muita expectativa por nós durante o tempo todo.
Mas o ambiente não era vago, tinha uma diversidade de cores, era um imenso e colorido jardim, cercado de chocolates e guloseimas e detalhes puros e inocentes que uma criança pudesse imaginar.
Achava graça quando meu irmão, com quatro anos, chorando, dizia “Quero ver Jack, Pri, ele vem hoje?” E eu tinha que estar disposta a qualquer hora para levar meu irmãozinho para apenas dar um oi ao amigo coelho, que nem sempre estava presente já que ele tinha uma personalidade forte e só aparecia quando queria.
Com o passar dos anos não olhava mais o espelho como sua função, toda vez que eu passava por ele, tinha que conferir se havia alguma história rolando por lá, se havia novidades e entre outras curiosidades que não me recordo.
Mas essa relação com o espelho, não se limitou à infância, ele foi também meu amigo, meu inimigo e confidente na fase da vida mais linda e fácil de lidar, a adolescência. Foi meu ombro amigo, acompanhou todo o meu desenvolvimento, minhas angústias e medos.
Já na juventude, percebo o quanto ele faz falta, não digo na presença física, porque qualquer canto que eu olho, vejo sempre espelhos: em casa, nos carros, ônibus, janelas, chaveiros.
Nenhum desses espelhos passa a profundidade que somente aquele espelho da minha infância passou. Hoje não tenho mais nem o espelho e nem a inocência de tempos atrás.
quinta-feira, agosto 28, 2008
Reflexão
Existe uma lenda que fala de uma tribo onde o velho, quando não servia mais para nada, era levado pelo seu filho mais moço até um local distante da floresta, e ali era deixado entregue à própria sorte. A única certeza era o abandono e, consequentemente, a morte...
Numa dessas vezes, um filho apiedou-se do seu velho e disse:- Pai, vou lhe dar o meu casaco, para que o senhor não sofra muito com o frio. O pai pegou o casaco, refletiu um pouco e devolveu ao filho dizendo:- Filho, fique com ele, pois será muito útil a você quando seu caçula lhe trouxer pra cá.
(autor desconhecido)
Numa dessas vezes, um filho apiedou-se do seu velho e disse:- Pai, vou lhe dar o meu casaco, para que o senhor não sofra muito com o frio. O pai pegou o casaco, refletiu um pouco e devolveu ao filho dizendo:- Filho, fique com ele, pois será muito útil a você quando seu caçula lhe trouxer pra cá.
(autor desconhecido)
quarta-feira, agosto 20, 2008
Violaram a inocência
segunda-feira, agosto 18, 2008
Nada muda
Nada muda
Nada muda,
Tudo permanece igual.
O ar não é o mesmo
Tudo tem cheiro de hospital.
A lágrima que escorre no rosto
É a mesma que me causa mal.
Gritar já não é mais suficiente
Sorrir, pra quê?
Soa mais deprimente.
O peito que enchia de emoção
Hoje está cheio de angústia e solidão.
(Priscila Silva)
Nada muda,
Tudo permanece igual.
O ar não é o mesmo
Tudo tem cheiro de hospital.
A lágrima que escorre no rosto
É a mesma que me causa mal.
Gritar já não é mais suficiente
Sorrir, pra quê?
Soa mais deprimente.
O peito que enchia de emoção
Hoje está cheio de angústia e solidão.
(Priscila Silva)
segunda-feira, junho 16, 2008
Pobres são como podres...
foto: Priscila Silva...e todos sabem como se tratam os pretos.
Esta foto tirei na cidade de Salvador no bairro Stella Mares. 20 famílias estavam abrigadas num imóvel abandonado, quando um grande empresário da capital baiana decidiu comprá-lo, assim mandou uma ordem judicial de expulsão para todas as famílias, onde o reforço policial foi bastante utilizado. Não há aqui uma crítica na forma que os policiais exerceram sua profissão, mas sim a condição destas pessoas "parasitarem".
quarta-feira, maio 21, 2008
Não
quinta-feira, maio 15, 2008
A literatura de cordel é imortal
Cordéis espalhados na Banca de João Firmino Cabral é uma alegria para os olhos dos visitantes
Por: Priscila Silva
Falar da cultura sergipana é englobar diversos fatores num único povo. Danças, lendas, músicas, comidas típicas, roupas e em especifico a literatura do cordel. Esta que é um tipo de poesia de origem popular, que no seu inicio foi difundida oralmente para depois aparecer em folhetos dependurados em cordas ou cordéis, vindo daí a origem do nome cordel, que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.
Chegando ao mercado central de Aracaju, atravessa-se um corredor de flores, que irá acabar na Praça João Firmino Cabral, e lá, está o poeta do povo com sua simplicidade e atenção em meio a cordéis, visitas de amigos, turistas e passantes num ambiente acolhedor e familiar, como se fosse a sala de sua própria casa. Firmino é um senhor de olhar curioso, que traz na “ponta da língua” um cordel para falar, onde quem pára na sua banca ouve com atenção o que é lhe dito.
Ele é o João Firmino Cabral, 68 anos e com muito amor ao que faz confessa que tem 52 anos de cordel. “Estou completando 52 anos de poeta, comecei a escrever cordel aos meus 16 anos.” A vida do poeta não foi somente de letras e rimas. Na infância, o ilustre itabainense, ajudava a sua mãe Dona Cecília da Conceição, na tarefa de fazer panelas de barro. “Comecei o trabalho cedo, carregando lenha para a minha mãe fazer panelas de barro. Aos 14 comecei a ler cordeis, por causa da minha mãe que comprava para eu ler. E foi através do cordel que aprendi a ler e escrever”.
Quando perguntado qual cordel ele mais gosta, de maneira simples como seu próprio jeito humilde de ser, diz gostar de todos. “Meus cordéis são como meus filhos, eu gosto de todos. Desde o meu primeiro que eu escrevi em 1956 até os mais atuais sobre a dengue e o caso Pipita. Mas tenho um carinho por “Heróis do destino” e “A coragem de uma vaqueiro em defesa de um amor”
O cordelista é referência de pesquisa para estudantes de todas as séries, inclusive das crianças do interior, como é o caso do Colégio Imaculada Conceição da cidade de Capela, onde os alunos da 4 série vieram conhecer o ícone da cultura sergipana. “Gostei muito do João Firmino, ele escreve poemas legais, eu comprei três livrinhos, o monstro sem alma, corruptos do Brasil e As peripécias de João Grilo” , disse contente a estudante Calyane Gomes, 11.
O que deixa João Firmino Cabral orgulhoso do que faz, não é somente as constantes visitas de curiosos, estudantes e pesquisadores mas também a difusão do cordel em todo território brasileiro. “A literatura de cordel está mais divulgada porque já tem em vários estados e muitas pessoas vêm para minha banca conhecer o que é cordel”.
Como forma de retribuição, o cordelista assume a cadeira de número 23 na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). “Este ano vou fazer parte de uma das cadeiras. Em junho estarei seguindo para o Rio de Janeiro, tomar posse, aliás essa cadeira já pertencia a um ancestral meu, Manuel de Almeida Filho. Isto é bondade do povo, é uma alegria pra mim, porque eu sou o segundo poeta sergipano, teve o Gimar Santana , que é meu discipulo, ele foi o primeiro e eu fiquei honrado. Ele dizia nos jornais e revistas que a cadeira não era para ele e sim para mim e eu sempre falava a ele que um dia iria chegar a minha vez ”, lembra.
Proseando
O poeta nunca imaginou escrever algo diferente de cordel. “Nunca escrevi nada além do cordel a não ser uma cronicazinha com a minha língua matuta, prefiro ficar nesse estilo”. A respeito da procura dos leitores de cordel, Firmino se entristece quando reconhece a falta de interesse da população do interior.“Eu recebo as escolas. E infelizmente o público que lê menos é o povo do interior de Sergipe. Os interiores de outros estados estão sempre por aqui, Alagoas, Pernambuco e Bahia” e ainda acrescenta “O sergipano, estudante que tem uma formação, ele continua admirando a cultura, o cordel, a rima. Já o interiorano acha que o cordel é algo do passado, o povo gosta é de bandas musicais, gosta de lapada na rachada e chupa que é de uva”.
A banca de Firmino é bastante movimentada, de criança a poetas consagrados, um deles é o poeta Ronaldo Dória Dantas que chega à banca sem economizar elogios ao amigo. “Já virou vício estar aqui, meu dia só começa depois que eu passo por aqui para pedir a benção ao meu mestre que me incentivou a escrever e a ser o poeta que sou hoje” e também para Dória a cultura é pouco apreciada pelo público sergipano.
Já o poeta e pesquisador Clenaldo que também é amigo de longa data, não dispensa sua visita diária ao João. “Eu brinco com ele dizendo que ele é um poço de qualidades e ele como sempre, com seu jeito humilde e modesto, me retribuiu com os mesmos elogios” e também considera Firmino um irmão, porque quando ele mais precisou, estava presente. “Quando para mim já não havia mais nenhum um sopro de esperança de vida e a medicina já havia me dado como perdido busquei nos amigos a força e o positivismo para dar voltas e ressurgir das cinzas como uma fênix. Curei-me de um câncer do pulmão, que os médicos diziam que eu tinha apenas 5% de chance de sobreviver e agradeço a este meu amigo-irmão que tanto me deu forças para que eu não desistisse de lutar pela vida”, relembra o amigo e emocionado Firmino com os olhos rasos d’água o abraça, disfarçando, adianta “Estou atrasado, hoje vou dar uma entrevista a Valadão na Tv Caju”. Este é o nosso João Firmino Cabral.
sexta-feira, maio 02, 2008
Inclusão digital

Por: Priscila Silva
O mundo moderno transformou o ser humano em bytes, pixels e entre outros nomes complicados, que eu não ouso escrever. A conversa gostosa com amigos se transformou num simples ato de teclar e enviar a mensagem (muitas vezes acompanhadas de bichinhos saltitantes). O mundo cibernético veio com a proposta de solucionar problemas, aproximar pessoas (mesmo estando uma no Japão e outra no Brasil). A modernidade, comodidade e facilidade a alcance de todos. Corrigindo, quase todos.
Uma grande maioria na população brasileira nunca teve contato com a informática e muito menos sabe o que significa mouse. Muito já foi discutido em torno da inclusão digital e ficou claro que é de extrema importância devido à globalização nos meios de comunicação onde o computador deixou de ser luxo para ser necessidade, para aqueles que podem ter.
Embora o Governo Federal tenha desenvolvido algumas iniciativas como a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS) que tem como objetivo proporcionar à população menos favorecida o acesso às tecnologias de informação, capacitando-a na prática computacional, não pensou de forma correta, pois foi uma atitude bastante precipitada em apenas lançar mais um projeto, sem ter a preocupação em preparar a sociedade para esse contato com a tecnologia. O dever é apenas cumprir o que foi prometido?
Será que é necessária esta inclusão digital? Ter ou disponibilizar computador é suficiente? Do que irá valer apenas colocá-las, sem sequer saber o que estão fazendo? Reconheço que houve uma tentativa do Governo, onde foi criado um espaço destinado ao treinamento gratuito de pessoas que queiram conhecer as facilidades da Internet para a obtenção de serviços e informações do Governo para a sociedade.
Excelente iniciativa, mas não resolve muito, devido que só está disponível em dez cidades brasileiras (Brasília, Fortaleza, Belém, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre). A internet não está a alcance de todos brasileiros, que inclusão é essa que exclui?As pessoas que estão à margem da modernidade além de serem excluídas sofrem também preconceito por estarem desatualizadas. Totalmente leigas, são jogadas na internet como um resultado da “eficiência” do projeto.
Antes da inclusão digital, no meu ver, deve-se haver a inclusão social onde a educação esteja antes de qualquer outro projeto para a sociedade, que sem sombra de dúvida, é o pulsador desse processo. A educação fará com que a cultura digital seja acessível de forma democrática, desenvolvendo o hábito e o interesse da sociedade em manusear o computador e acessar à internet de forma fácil. Eu espero que seja em breve, esperar demais cansa e a sociedade sabe muito bem disso.
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